A relação entre magnésio e enxaqueca desperta interesse crescente na neurologia, especialmente por causa de estudos que apontam menor frequência de crises em adultos que fazem uso regular do mineral. Estima-se que até metade das pessoas com enxaqueca crônica apresente níveis baixos de magnésio, nutriente essencial para o equilíbrio dos vasos cerebrais e para a regulação da excitabilidade neuronal. Ensaios clínicos com suplementação oral têm mostrado resultados promissores na profilaxia, embora o uso do mineral não substitua o tratamento medicamentoso e deva ser sempre orientado por um neurologista.
Por que o magnésio pode ajudar quem tem enxaqueca frequente?
O magnésio participa da regulação de neurotransmissores como o glutamato e a serotonina, além de atuar diretamente no tônus dos vasos sanguíneos cerebrais. Sua deficiência está associada ao aumento da excitabilidade neuronal, condição envolvida no início das crises.
Estudos observacionais mostram que pessoas com enxaqueca crônica tendem a apresentar níveis menores desse mineral em comparação com indivíduos saudáveis. Essa observação motivou o desenvolvimento de ensaios clínicos voltados à suplementação como estratégia preventiva.
O que dizem as diretrizes sobre o uso de magnésio na profilaxia?
A Academia Brasileira de Neurologia reconhece que o magnésio pode ser considerado como opção complementar na profilaxia da enxaqueca, especialmente em pacientes com contraindicações ou intolerância aos medicamentos convencionais. Diretrizes internacionais seguem a mesma linha.
A American Academy of Neurology e a American Headache Society classificam o magnésio como “provavelmente eficaz” na prevenção, com nível B de evidência. Ainda assim, o uso deve ser individualizado, considerando outras causas de dor de cabeça e possíveis interações medicamentosas.

Qual foi o estudo científico que avaliou a redução das crises?
Diversos ensaios clínicos randomizados investigaram a eficácia da suplementação oral de magnésio na profilaxia da enxaqueca ao longo das últimas décadas, com resultados que sustentam seu uso como estratégia complementar em adultos com crises recorrentes.
Segundo o estudo Prophylaxis of migraine with oral magnesium, publicado no periódico Cephalalgia, adultos que receberam 600 mg diários de citrato de magnésio por 12 semanas apresentaram redução de 41,6% na frequência de crises, contra 15,8% no grupo placebo, com diferença estatisticamente significativa.
Quais doses e formas de magnésio foram estudadas?
As pesquisas clínicas testaram diferentes formas químicas do mineral, com variações importantes de absorção e tolerabilidade. Confira as principais características observadas nos ensaios:
- Citrato de magnésio 600 mg ao dia: forma com maior consistência de resultados na redução da frequência das crises.
- Óxido de magnésio 400 a 500 mg ao dia: apresentou eficácia semelhante ao valproato de sódio em ensaios comparativos, mas com maior chance de efeitos gastrointestinais.
- Aspartato de magnésio: não demonstrou superioridade em relação ao placebo em ensaios clínicos.
- Tempo mínimo de uso: os estudos avaliaram períodos entre 8 e 12 semanas para observar redução consistente das crises.
- Principais efeitos colaterais: diarreia, fezes amolecidas e desconforto abdominal, principalmente em doses mais altas.
- Combinação com outros nutrientes: associação com riboflavina e coenzima Q10 foi investigada e mostrou melhora de sintomas secundários da enxaqueca.

Como usar magnésio com segurança para enxaqueca frequente?
Apesar do bom perfil de segurança, o magnésio não deve ser iniciado por conta própria, especialmente por pessoas com doença renal, uso de diuréticos ou remédios para enxaqueca de uso contínuo. A avaliação neurológica é indispensável para definir dose, forma química e tempo de uso. Alguns cuidados essenciais incluem:
- Buscar avaliação médica prévia: exames podem indicar se há deficiência real do mineral no organismo.
- Preferir formas mais bem absorvidas: citrato e glicinato tendem a causar menos efeitos gastrointestinais.
- Manter uso contínuo por semanas: os benefícios costumam aparecer após 8 a 12 semanas de uso regular.
- Combinar com alimentação equilibrada: folhas verde-escuras, sementes e oleaginosas são fontes naturais do mineral.
- Registrar as crises em um diário: ajuda a monitorar a resposta ao tratamento e ajustar a conduta.
- Não substituir medicamentos prescritos: a suplementação atua como estratégia complementar, não como tratamento único.
Além disso, é importante lembrar que a enxaqueca é uma condição neurológica complexa e que enxaqueca crônica pode envolver fatores hormonais, alimentares, emocionais e genéticos. O acompanhamento com neurologista permite investigar causas, ajustar tratamentos e evitar a automedicação, garantindo maior segurança e eficácia no controle das crises.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico ou profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um neurologista antes de iniciar qualquer suplementação.









