A trombose venosa profunda, popularmente chamada de trombose nas pernas, é a formação de um coágulo dentro de veias profundas, geralmente na panturrilha ou na coxa. O quadro é considerado a terceira causa mais comum de morte cardiovascular no mundo, ficando atrás apenas do infarto e do AVC. Fatores do dia a dia, como sedentarismo, obesidade, tabagismo e uso de anticoncepcional, aumentam bastante a chance de desenvolver o problema. Reconhecer esses gatilhos ajuda a prevenir a doença e a ficar atento aos primeiros sinais, que muitas vezes passam despercebidos.
O que é a trombose nas pernas?
A trombose nas pernas surge quando o sangue coagula de forma indevida dentro de uma veia profunda, dificultando o retorno da circulação em direção ao coração. Em geral, atinge apenas uma das pernas.
O grande risco é o coágulo se soltar da parede da veia e viajar até os pulmões, causando embolia pulmonar, uma condição potencialmente fatal. Por isso, entender o que favorece o quadro e agir preventivamente é tão importante.
Por que a rotina moderna aumenta o risco?
Boa parte dos hábitos atuais favorece a estase venosa, que é a redução da velocidade do sangue nas veias das pernas. Longas jornadas de trabalho sentado, viagens de avião de mais de 4 horas, sedentarismo e uso frequente de telas contribuem para esse quadro.
Quando o sangue circula devagar, aumenta a chance de coagulação dentro das veias. Somado a isso, alterações hormonais, tabagismo e excesso de peso deixam o sangue mais espesso e as veias mais vulneráveis à formação de coágulos.

Quais fatores do dia a dia mais elevam o risco de trombose?
Diversos fatores comportamentais e clínicos aumentam a chance de desenvolver um coágulo nas pernas. Alguns são modificáveis, e agir sobre eles reduz bastante o risco.
Entre os principais fatores estão:
- Sedentarismo e longos períodos sentado ou deitado, comuns em trabalhos de escritório e viagens longas
- Obesidade e excesso de gordura abdominal, que pressionam os vasos e alteram fatores de coagulação
- Tabagismo, que danifica a parede das veias e favorece a formação de coágulos
- Uso de anticoncepcional com estrogênio, adesivo ou anel vaginal, principalmente combinado a outros fatores
- Terapia de reposição hormonal na menopausa, sob orientação médica
- Gravidez e pós-parto, devido a alterações hormonais e à compressão do útero sobre as veias
- Cirurgias recentes, principalmente ortopédicas, ginecológicas ou abdominais
- Idade acima de 60 anos e histórico familiar de trombose ou trombofilia
- Desidratação e consumo excessivo de bebidas alcoólicas
Cada fator isolado eleva um pouco o risco, mas a combinação de dois ou mais, como uso de anticoncepcional associado a tabagismo, multiplica bastante essa chance.
O que diz uma revisão científica sobre esses fatores?
Para entender melhor o peso de cada fator na formação de coágulos, pesquisadores reuniram dezenas de estudos sobre a doença. Segundo a revisão A Comprehensive Review of Risk Factors for Venous Thromboembolism From Epidemiology to Pathophysiology publicada no International Journal of Molecular Sciences, o tromboembolismo venoso é a terceira causa cardiovascular de morte no mundo, com incidência de 1 a 2 casos a cada mil pessoas por ano em países ocidentais.
Os autores destacam que obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal, imobilização prolongada, cirurgias, viagens longas de avião, câncer e doenças autoimunes estão entre os principais fatores de risco. Cada um atua em mecanismos diferentes, mas todos favorecem o desequilíbrio entre coagulação e fluxo sanguíneo.

Como reconhecer os sinais e reduzir o risco?
Os sintomas de trombose nas pernas costumam incluir dor intensa e latejante em uma única perna, inchaço, vermelhidão, pele quente ao toque, sensação de peso e piora ao caminhar. Diante desses sinais, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente.
Para reduzir o risco no dia a dia, vale movimentar as pernas a cada uma ou duas horas em viagens longas, praticar atividade física regular, manter o peso adequado, beber bastante água, evitar o cigarro e discutir com o médico o método contraceptivo mais seguro, principalmente em caso de histórico familiar. Usar meias de compressão pode ajudar em situações específicas, sempre com orientação profissional.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de sintomas ou dúvidas, procure orientação médica.









