Aquela sensação repentina de choque, agulhadas ou formigamento nas pernas é mais comum do que parece e nem sempre significa apenas que você ficou muito tempo na mesma posição. Quando o sintoma se torna recorrente, pode indicar uma alteração nos nervos ligada à falta de vitamina B12 ou à compressão de raízes nervosas na coluna. Entender o que está por trás desse sinal ajuda a identificar quando é hora de procurar avaliação médica antes que o quadro evolua.
O que é a sensação de choque ou formigamento nas pernas?
Essa sensação, conhecida na medicina como parestesia, é caracterizada por dormência, agulhadas, queimação ou uma espécie de descarga elétrica que percorre a perna. Costuma surgir sem estímulo aparente e pode durar segundos, minutos ou até horas.
Na maioria das vezes, o formigamento aparece quando a passagem dos sinais entre os nervos e o cérebro é interrompida temporariamente, seja por pressão local, seja por alteração no funcionamento dos nervos periféricos. Quando episódico e breve, geralmente é inofensivo, mas quando persistente ou frequente, merece investigação.
Como a compressão de nervos na coluna causa esse sintoma?
A coluna vertebral abriga as raízes nervosas que se estendem até as pernas. Quando um disco intervertebral se desloca ou se rompe, essas raízes podem ficar comprimidas, gerando dor irradiada, formigamento e choques que descem pelo glúteo, coxa e panturrilha.
A hérnia de disco lombar é uma das causas mais frequentes desse tipo de sintoma, especialmente quando o formigamento vem acompanhado de dor lombar e piora ao sentar ou tossir. Nesses casos, a avaliação com ortopedista ou neurocirurgião e a realização de ressonância magnética são fundamentais para confirmar o diagnóstico.

Qual a relação entre a vitamina B12 e o formigamento?
A vitamina B12 é essencial para a produção da bainha de mielina, camada que protege os nervos periféricos e garante a transmissão adequada dos impulsos nervosos. Quando os níveis dessa vitamina caem, os nervos ficam expostos e começam a enviar sinais alterados ao cérebro.
Esse quadro, conhecido como neuropatia periférica, provoca formigamento progressivo nas pernas e nos pés, dormência e até perda de sensibilidade. Manter uma alimentação equilibrada e, quando necessário, repor a vitamina B12 por orientação médica são medidas essenciais para reverter o quadro nos estágios iniciais.
Quais são as outras causas possíveis?
Nem sempre o formigamento nas pernas está ligado à coluna ou à falta de B12. Existem outras condições que também interferem no funcionamento dos nervos ou na circulação sanguínea e merecem atenção:
- Diabetes descompensado, que danifica os nervos periféricos e causa neuropatia diabética;
- Má circulação sanguínea, comum em casos de varizes, trombose ou aterosclerose;
- Nervo ciático inflamado, que provoca dor e choques do glúteo até o pé;
- Esclerose múltipla, doença neurológica que altera a transmissão nervosa;
- Ansiedade e estresse, que podem gerar formigamento por hiperventilação e tensão muscular;
- Uso prolongado de certos medicamentos, como metformina e omeprazol, que reduzem a absorção de vitaminas.

O que os estudos científicos revelam sobre o assunto?
A relação entre deficiência de B12 e sintomas nos nervos é bem consolidada na literatura médica. Segundo a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency, publicada na revista científica Cureus em 2025, a deficiência de cobalamina é uma causa reconhecida de neuropatia periférica, declínio cognitivo e mielopatia. Os autores analisaram dez ensaios clínicos randomizados e concluíram que a suplementação melhora os sintomas neurológicos em pacientes com deficiência confirmada, reforçando a importância do diagnóstico e do tratamento precoces para evitar sequelas permanentes.
Por isso, ao notar choques, formigamento ou dormência recorrentes nas pernas, o ideal é procurar um clínico geral, neurologista ou ortopedista para avaliação individualizada, exames laboratoriais e de imagem, e definição do tratamento mais adequado para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









