O infarto é uma emergência médica que acontece quando o fluxo de sangue para o coração é interrompido, geralmente pelo entupimento de uma artéria coronária, e parte do músculo cardíaco começa a sofrer lesões em poucos minutos. O grande desafio é que sintomas como dor no peito, falta de ar e suor frio podem ser confundidos com uma azia ou má digestão, atrasando o socorro e aumentando o risco de complicações graves. Reconhecer os sinais clássicos e procurar ajuda imediatamente, na dúvida, pode salvar vidas.
O que é o infarto e por que acontece?
O infarto agudo do miocárdio ocorre quando uma ou mais artérias do coração ficam obstruídas, geralmente pelo acúmulo de placas de gordura no processo de aterosclerose. Sem oxigênio suficiente, as células do músculo cardíaco começam a morrer.
Fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo e estresse aumentam o risco. Pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas ou episódios prévios de infarto também merecem acompanhamento cardiológico regular.
Quais são os sintomas clássicos do infarto?
A dor torácica é o sinal mais comum e costuma ser descrita como aperto, peso ou queimação no centro do peito, com duração maior que 20 minutos. A dor pode irradiar para o braço esquerdo, ombros, pescoço, mandíbula ou costas, e geralmente não melhora com repouso ou troca de posição.
Outros sintomas frequentes incluem falta de ar, suor frio, palidez, náuseas, tontura e sensação de morte iminente. Em mulheres, idosos e diabéticos, o quadro pode aparecer de forma mais discreta, com cansaço incomum e desconforto leve no peito.

Como diferenciar o infarto de uma má digestão?
A semelhança entre os sintomas digestivos e os cardíacos é uma das principais razões de atraso no atendimento. Alguns sinais ajudam a distinguir os dois quadros:
- A dor da má digestão costuma surgir após refeições pesadas e melhora com antiácidos ou eructação.
- A dor do infarto não melhora com repouso, mudança de posição ou medicamentos para o estômago.
- Suor frio intenso, falta de ar e palidez são mais sugestivos de problema cardíaco do que digestivo.
- A dor que irradia para braço, mandíbula ou costas raramente está ligada à azia ou ao refluxo.
- Sensação de aperto ou pressão no peito, com duração maior que 20 minutos, é um forte sinal de alerta cardíaco.
Na dúvida, sempre vale considerar a hipótese mais grave e buscar atendimento médico imediato, pois minutos fazem diferença no prognóstico.

Como um estudo científico reforça esse alerta?
As evidências mostram que apresentações atípicas do infarto, parecidas com problemas digestivos, são uma das principais causas de diagnóstico tardio. Segundo a revisão sistemática Atypical Presentations of Myocardial Infarction, publicada na revista Cureus, sintomas como dor abdominal, queimação semelhante à indigestão, náuseas e desconforto no pescoço estão entre as formas mais frequentes de apresentação não clássica do infarto.
Os autores reforçam que a mortalidade do infarto está diretamente ligada ao tempo até o tratamento e que o reconhecimento de sinais atípicos é decisivo para reduzir mortes e sequelas, especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes.
O que fazer diante da suspeita de infarto?
Diante de qualquer sinal sugestivo de infarto, a prioridade é buscar atendimento de emergência o mais rápido possível. Algumas atitudes essenciais são:
- Ligar imediatamente para o SAMU 192 ou outro serviço de emergência, evitando dirigir até o hospital.
- Manter a pessoa sentada ou recostada em local arejado, com roupas folgadas, e tentar acalmá-la.
- Evitar oferecer comida, bebida ou medicamentos por conta própria, salvo orientação médica.
- Se a pessoa perder a consciência e parar de respirar, iniciar manobras de princípio de infarto e massagem cardíaca até a chegada do socorro.
- Informar à equipe médica todos os sintomas, o horário do início e doenças preexistentes da vítima.
Mais vale procurar ajuda e descobrir que era apenas uma indigestão do que ignorar o sintoma e perder a janela ideal de tratamento. Tempo é músculo, e a rapidez no atendimento é o fator que mais influencia a recuperação após um infarto.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de suspeita de infarto, procure atendimento médico de emergência imediatamente.









