Quando bate aquela cãibra na panturrilha no meio da noite ou durante o exercício, muita gente já tem uma resposta pronta: falta de magnésio. Suplementos e sachês com o mineral viraram quase rotina em academias e na cabeceira da cama. As evidências científicas mais recentes, porém, mostram que o magnésio talvez não tenha o efeito que se imaginava sobre as cãibras na maioria das pessoas, e que outras estratégias podem ser mais eficazes para prevenir e aliviar o problema.
Por que se acreditava tanto no magnésio?
O magnésio participa de centenas de reações no corpo, incluindo a transmissão dos impulsos nervosos e o trabalho dos músculos. Por isso, durante muito tempo, a cãibra foi explicada principalmente pela falta desse mineral.
A partir dessa ideia, suplementos passaram a ser largamente comercializados como solução para a contração involuntária do músculo, mesmo sem comprovação consistente em pessoas saudáveis.
O que realmente causa a cãibra muscular?
Hoje, estudos em medicina esportiva e neurologia indicam que a cãibra está mais ligada a fadiga muscular e a um descontrole dos nervos que controlam a contração do que a uma simples falta de mineral.
Esforço acima do habitual, falta de preparo, calor, desidratação e algumas doenças e medicamentos contribuem para o quadro, somando-se à postura inadequada e ao sedentarismo, fatores que aparecem entre as causas da cãibra.

O que diz a ciência sobre o magnésio para cãibras?
A análise mais ampla disponível sobre o tema avaliou justamente esse efeito. Segundo a revisão sistemática Magnesium for skeletal muscle cramps, publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews e indexada ao PubMed, a suplementação com magnésio provavelmente não traz benefício clinicamente significativo na prevenção de cãibras musculares em adultos mais velhos, principal grupo afetado por cãibras noturnas idiopáticas.
Os autores destacam que, em situações específicas, como gestação e doenças neuromusculares, as evidências ainda são limitadas e a indicação deve ser individualizada pelo médico, em vez de feita por conta própria.

O que costuma funcionar melhor para prevenir cãibras?
Antes de recorrer a suplementos, vale apostar em estratégias com mais respaldo científico no dia a dia. Entre as medidas que costumam ajudar estão:
- Aumentar a carga de exercícios de forma gradual, evitando sobrecarga repentina;
- Manter boa hidratação ao longo do dia, especialmente em dias quentes;
- Em atividades longas ou intensas, repor líquidos e um pouco de sal;
- Fazer alongamento das panturrilhas e dos músculos posteriores antes de dormir;
- Movimentar pernas e pés ao longo do dia, sobretudo se trabalha sentado;
- Garantir uma alimentação variada, com frutas, vegetais, leguminosas e oleaginosas;
- Evitar excesso de álcool e prestar atenção ao uso de diuréticos sob prescrição.
O que fazer quando a cãibra aparece?
Durante o episódio, a melhor conduta costuma ser cuidar do músculo com calma. Algumas medidas úteis incluem:
- Alongar o músculo afetado lentamente, sem movimentos bruscos;
- Na panturrilha, puxar a ponta do pé na direção do joelho;
- Massagear suavemente a região contraída;
- Respirar fundo e manter o restante do corpo relaxado;
- Aplicar uma compressa morna após o alívio inicial;
- Beber água e descansar antes de voltar à atividade;
- Evitar repetir o mesmo esforço logo em seguida.
Quando as cãibras se tornam frequentes, intensas, atrapalham o sono ou vêm acompanhadas de inchaço, dor ao caminhar, formigamento, fraqueza ou alterações na cor das pernas, é importante procurar avaliação médica. Clínico geral, neurologista, cardiologista vascular e médico do esporte podem investigar a causa, solicitar exames de eletrólitos, função renal e circulação e indicar o tratamento mais adequado, com ou sem suplementos, de acordo com o quadro de cada pessoa.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado. Em caso de cãibras frequentes ou outros sintomas persistentes, procure orientação médica.









