Roer as unhas é muito mais do que uma simples mania: terapeutas e psicólogos confirmam que esse comportamento repetitivo está frequentemente ligado a quadros de ansiedade, estresse emocional e tensão acumulada. Conhecida clinicamente como onicofagia, essa condição atinge cerca de 20% a 30% da população mundial e pode trazer consequências sérias para a saúde física e mental quando não tratada adequadamente.
Por que roer as unhas está ligado à ansiedade?
A onicofagia é classificada por especialistas em saúde mental como um comportamento repetitivo focado no corpo. Quando uma pessoa sente nervosismo, inquietação ou preocupação excessiva, o cérebro busca formas automáticas de aliviar essa tensão, e roer as unhas funciona como uma válvula de escape momentânea para a angústia emocional.
De acordo com o DSM-5, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), o hábito compulsivo de roer as unhas é citado como exemplo de “outro transtorno obsessivo-compulsivo e relacionado especificado”, dentro do mesmo capítulo que abrange condições como a tricotilomania e o transtorno de escoriação. Isso reforça que a onicofagia não é apenas uma questão estética, mas um comportamento repetitivo focado no corpo que pode indicar dificuldades emocionais como estresse e ansiedade.

Quais são os riscos de roer as unhas para a saúde?
Além do desconforto visual, o ato de roer as unhas compromete diversas áreas do organismo. As consequências vão desde problemas dermatológicos até complicações bucais que exigem acompanhamento profissional.
Entre os principais riscos que terapeutas e médicos destacam estão:
- Infecções bacterianas e fúngicas nas cutículas e pontas dos dedos, causadas por microlesões na pele
- Paroníquia, uma inflamação dolorosa ao redor da unha que pode exigir uso de antibióticos
- Desgaste do esmalte dentário, especialmente nos dentes incisivos, favorecendo o surgimento de cáries
- Problemas gastrointestinais pela ingestão de fragmentos de unhas e microrganismos patogênicos
- Alterações na mandíbula e no posicionamento dos dentes devido à pressão repetitiva
Qual tratamento é comprovado para parar de roer as unhas?
Terapeutas especializados em saúde comportamental apontam a terapia cognitivo-comportamental (TCC) como o tratamento mais eficaz para combater a onicofagia. Essa abordagem psicoterapêutica ajuda o paciente a identificar os gatilhos emocionais que desencadeiam o impulso de roer as unhas e a desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis.
Um estudo clínico randomizado publicado na revista científica JAMA Dermatology, conduzido pelo Dr. Steffen Moritz e sua equipe do University Medical Center Hamburg-Eppendorf, na Alemanha, trouxe resultados promissores para quem sofre com esse hábito. A pesquisa avaliou 268 participantes com comportamentos repetitivos focados no corpo, incluindo a onicofagia, e demonstrou que uma técnica de substituição de hábito, baseada em toques suaves na pele, reduziu significativamente o comportamento em 53% dos participantes, contra apenas 20% no grupo de controle. Os pesquisadores concluíram que pessoas que roem as unhas foram as mais beneficiadas pela técnica, o que abre caminho para intervenções acessíveis e de autoajuda.
Outras abordagens terapêuticas recomendadas por profissionais de saúde mental incluem:
- Treinamento de reversão de hábito, que ensina o paciente a substituir o ato de roer por um gesto inofensivo
- Técnicas de relaxamento como meditação, respiração diafragmática e mindfulness para reduzir a ansiedade
- Uso de esmaltes com sabor amargo como recurso complementar de barreira sensorial
- Acompanhamento psiquiátrico com possibilidade de medicação em casos mais graves de ansiedade

Como identificar se o hábito de roer as unhas precisa de tratamento profissional?
Nem toda pessoa que rói as unhas precisa de intervenção clínica. No entanto, quando o comportamento causa ferimentos visíveis, sangramento frequente, infecções recorrentes ou sofrimento emocional significativo, é fundamental buscar apoio de um psicólogo ou psiquiatra para investigar as causas emocionais subjacentes.
De acordo com a Drª. Aleksana Viana, dermatologista responsável por conteúdos do Tua Saúde, manter as unhas bem cortadas e lixadas, usar bases fortalecedoras e consultar um psicólogo quando necessário são medidas essenciais para quem deseja abandonar o hábito e recuperar a saúde das mãos.
Quais hábitos ajudam a controlar a ansiedade e parar de roer as unhas?
Terapeutas recomendam mudanças na rotina que atuam diretamente na redução dos níveis de ansiedade e, consequentemente, diminuem o impulso de levar as mãos à boca. A prática regular de exercícios físicos, a qualidade do sono e uma alimentação equilibrada são pilares fundamentais nesse processo.
Manter as mãos ocupadas com objetos como bolinhas antiestresse, cultivar hobbies manuais e investir em cuidados regulares com as unhas também ajudam a redirecionar a energia nervosa. O mais importante, segundo os especialistas em psicologia clínica, é tratar a causa raiz da ansiedade para que o hábito de roer as unhas não seja apenas substituído por outro comportamento compulsivo.









