O termo MASLD passou a ser usado para descrever muitos casos antes chamados de fígado gorduroso não alcoólico. A mudança não significa que a doença seja nova, mas ajuda a mostrar algo que “esteatose” nem sempre deixava claro: o acúmulo de gordura no fígado costuma estar ligado à saúde metabólica.
O que mudou no nome
Esteatose significa presença de gordura no fígado, mas não explica sozinha por que isso acontece. Já MASLD quer dizer doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, destacando a relação com fatores como excesso de peso, glicose alta, colesterol alterado e pressão alta.
Segundo a AASLD, MASLD engloba pessoas com esteatose hepática e pelo menos um de cinco fatores de risco cardiometabólicos. O termo NAFLD, antes usado para doença hepática gordurosa não alcoólica, foi substituído por MASLD.
O que MASLD revela melhor
A nova nomenclatura ajuda a tirar o foco apenas do álcool ou da ideia genérica de “gordura no fígado”. Ela mostra que o fígado pode refletir alterações do metabolismo que também afetam coração, vasos sanguíneos e risco de diabetes.
- Glicose alta ou resistência à insulina podem participar do quadro.
- Excesso de peso, especialmente abdominal, aumenta o risco.
- Colesterol e triglicerídeos alterados fazem parte da investigação.
- Pressão alta pode aparecer junto de outras alterações metabólicas.
- O fígado gorduroso pode existir sem sintomas evidentes.

O estudo científico da mudança
Segundo a declaração de consenso multissocietária baseada em método Delphi modificado A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature, publicada na revista Hepatology, especialistas e representantes de pacientes concordaram em substituir NAFLD por MASLD e NASH por MASH.
O estudo destacou limitações dos nomes antigos, como depender de termos de exclusão e usar linguagem potencialmente estigmatizante. Com MASLD, o diagnóstico passa a comunicar melhor a presença de gordura no fígado em conjunto com risco metabólico.
Por que isso importa na prática
A mudança de nome pode ajudar médicos e pacientes a olharem além do ultrassom. Encontrar gordura no fígado deve abrir espaço para avaliar peso, cintura, pressão, glicose, hemoglobina glicada, colesterol, triglicerídeos e hábitos de vida.
- Não trate MASLD como problema isolado do fígado.
- Investigue diabetes, pré-diabetes e colesterol alto, quando indicado.
- Evite promessas rápidas, chás ou suplementos para “limpar” o fígado.
- Reduza álcool conforme orientação, mesmo quando a causa principal é metabólica.
- Busque acompanhamento se houver enzimas hepáticas alteradas ou fibrose suspeita.

Como cuidar do fígado nessa nova visão
O cuidado continua baseado em mudanças sustentáveis: perda de peso quando necessária, atividade física regular, alimentação com menos ultraprocessados e melhor controle de glicose, pressão e gorduras no sangue. O nome mudou, mas a prevenção ainda depende de rotina e acompanhamento.
Para entender melhor causas, sintomas e tratamento, veja também o conteúdo sobre gordura no fígado. Em alguns casos, o médico pode pedir elastografia, exames de sangue ou avaliação com hepatologista para estimar risco de fibrose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









