Feridas dolorosas na pele ou na região genital, febre e gânglios inchados podem parecer infecções comuns, mas também devem levantar suspeita de mpox. A atenção aumentou com a circulação do clado Ib, uma linhagem do vírus que passou a ser detectada em mais países e pode se espalhar por contato próximo.
Por que o clado Ib entrou no radar
O clado Ib é uma sublinhagem do vírus da mpox que ganhou destaque por sua transmissão em surtos recentes, incluindo casos fora de áreas onde antes havia circulação sustentada. O alerta não significa pânico, mas reforça a necessidade de reconhecer sintomas e evitar transmissão.
Segundo a OMS, foram identificados casos de mpox por clado Ib com transmissão local em países que antes tinham apenas casos ligados a viagens ou não registravam essa circulação. A organização avalia risco moderado para homens que fazem sexo com homens e baixo para a população geral na maioria dos países.
O que o estudo científico mostrou
O estudo de coorte prospectivo Epidemiological and clinical features of mpox during the clade Ib outbreak in South Kivu, Democratic Republic of the Congo, publicado no The Lancet, analisou características clínicas e epidemiológicas do surto por clado Ib na República Democrática do Congo.
Os pesquisadores observaram padrões diferentes conforme a idade. Em adultos, a doença afetou principalmente a região geniturinária, o que é compatível com transmissão por contato sexual. Em crianças, foram mais comuns lesões fora da região genital, reforçando que a mpox pode ter apresentações variadas.

Sinais que merecem atenção
A mpox pode começar com sintomas parecidos com gripe, mas as lesões na pele ou nas mucosas ajudam a diferenciar o quadro. Os gânglios inchados também são um sinal importante.
- Feridas, bolhas ou crostas dolorosas na pele, boca, região genital ou anal.
- Gânglios inchados no pescoço, axilas ou virilha.
- Febre, calafrios, dor de cabeça e dores musculares.
- Dor ao urinar, dor anal ou desconforto na região íntima.
- Contato próximo ou sexual com pessoa com lesões suspeitas.
Quem deve redobrar o cuidado
A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais, crostas, roupas, objetos contaminados ou contato íntimo. Algumas pessoas têm maior risco de complicações ou de exposição.
- Pessoas com imunidade baixa, especialmente HIV não tratado ou mal controlado.
- Homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos.
- Profissionais de saúde que atendem casos suspeitos sem proteção adequada.
- Contatos domiciliares de pessoas com mpox confirmada ou provável.
- Crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, quando expostas.
Para entender melhor sintomas, transmissão e tratamento, veja também o conteúdo sobre mpox.

Como agir diante da suspeita
Ao notar feridas dolorosas, ínguas e febre após contato de risco, o ideal é evitar contato íntimo, não compartilhar toalhas ou roupas e procurar orientação em um serviço de saúde. O diagnóstico pode exigir coleta de material das lesões para teste laboratorial.
A maioria dos casos melhora em algumas semanas, mas o acompanhamento é importante para controlar dor, prevenir infecções secundárias e orientar isolamento até a cicatrização completa das lesões. Pessoas com maior risco podem precisar de avaliação mais rápida e cuidados específicos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









