A doença do refluxo gastroesofágico, conhecida pela sigla DRGE, ocorre quando o conteúdo do estômago retorna com frequência para o esôfago, causando queimação, regurgitação e desconforto. É uma das condições digestivas mais comuns no mundo, especialmente em adultos acima dos 40 anos, e costuma ser controlada com mudanças de hábitos e, quando necessário, com medicamentos prescritos pelo gastroenterologista.
O que é a doença do refluxo gastroesofágico?
Em condições normais, um anel muscular chamado esfíncter esofágico inferior se contrai logo após a passagem do alimento, evitando que o suco gástrico volte para o esôfago. Quando esse esfíncter relaxa de forma inadequada ou perde força, o ácido sobe e irrita a mucosa esofágica.
Esse retorno ácido frequente é o que caracteriza o refluxo gastroesofágico. Quando os episódios são esporádicos, são considerados normais; já quando se tornam frequentes ou trazem complicações, configuram a DRGE.
Quais são os sintomas mais comuns do refluxo?
A doença pode se manifestar de forma típica, com sintomas digestivos clássicos, ou atípica, com queixas em vias aéreas e garganta. Reconhecer o conjunto de sinais ajuda a buscar avaliação no momento certo.
Entre os sintomas mais frequentes, destacam-se:

Quando esses sintomas, especialmente a azia, aparecem duas ou mais vezes por semana, é importante procurar avaliação médica.
Quais mudanças de hábitos ajudam a controlar o refluxo?
Em grande parte dos casos, ajustes no estilo de vida já reduzem a frequência e a intensidade dos sintomas, e são considerados parte essencial do tratamento, mesmo quando há indicação de medicamentos.
As principais medidas recomendadas pelas sociedades de gastroenterologia incluem:
- Fazer refeições menores e mais frequentes ao longo do dia;
- Evitar deitar-se nas 2 a 3 horas após comer;
- Elevar a cabeceira da cama em cerca de 15 centímetros;
- Reduzir café, álcool, refrigerantes, frituras, frutas cítricas e alimentos muito apimentados;
- Controlar o peso corporal e parar de fumar;
- Evitar roupas apertadas na região abdominal.
Para muitas pessoas, essas mudanças, mantidas de forma consistente, já permitem reduzir ou até dispensar a necessidade de medicação contínua.

O que dizem as pesquisas sobre prevalência e fatores de risco?
A DRGE é hoje uma das doenças digestivas mais prevalentes no mundo e a procura por atendimento vem aumentando junto com o envelhecimento populacional e a obesidade. Esse panorama foi descrito em uma análise científica de referência.
De acordo com a revisão sistemática Update on the epidemiology of gastro-oesophageal reflux disease, publicada na revista Gut, a prevalência da doença varia entre 18,1% e 27,8% na América do Norte e entre 8,8% e 25,9% na Europa, com tendência de aumento ao longo do tempo. Os autores destacam como principais fatores de risco a idade acima dos 40 anos, o sobrepeso e a obesidade, o tabagismo e a história familiar.
Quando o tratamento medicamentoso é necessário?
Quando os sintomas persistem mesmo com as mudanças de estilo de vida ou quando há lesões no esôfago detectadas por endoscopia, o médico pode prescrever medicamentos para reduzir a acidez gástrica. Os mais usados são os inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, além de bloqueadores H2 e antiácidos para alívio pontual.
Em casos selecionados, com refluxo grave, hérnia de hiato volumosa ou falha do tratamento clínico, pode ser indicada cirurgia antirrefluxo. O uso prolongado de medicações deve ser sempre acompanhado, pelo risco de efeitos adversos a longo prazo. Por isso, diante de sintomas frequentes de refluxo, é fundamental procurar um gastroenterologista para uma avaliação individualizada e definir a melhor estratégia de tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









