A resposta pode surpreender muitas pessoas, mas não existe um braço universalmente correto para medir a pressão arterial. As diretrizes médicas internacionais recomendam que a pressão seja medida nos dois braços na primeira avaliação e que, a partir daí, todas as medições seguintes sejam feitas no braço que apresentou o valor mais alto. Essa diferença entre os braços pode parecer insignificante, mas ignorá-la pode levar a diagnósticos equivocados e até a riscos sérios para a saúde cardiovascular.
Por que a pressão pode ser diferente entre os braços?
É natural que exista uma pequena diferença de pressão entre o braço esquerdo e o direito. Em grande parte das pessoas, o braço direito tende a registrar valores ligeiramente mais elevados, o que está relacionado com a forma como as artérias se ramificam a partir do coração. Porém, essa diferença costuma ser pequena e sem importância na maioria dos casos.
O problema aparece quando essa diferença ultrapassa determinados limites. Uma variação acima de 10 mmHg entre os braços pode indicar estreitamento de artérias ou problemas na circulação, e valores acima de 15 mmHg merecem atenção médica imediata, pois podem sinalizar risco aumentado de doenças vasculares.
Revisão sistemática publicada no The Lancet confirma os riscos da diferença entre braços
A importância de medir a pressão nos dois braços foi reforçada por uma ampla análise da literatura científica. Segundo a revisão sistemática e meta-análise “Association of a difference in systolic blood pressure between arms with vascular disease and mortality”, publicada no The Lancet, diferenças de 15 mmHg ou mais na pressão entre os braços estão associadas a um risco 2,5 vezes maior de doença vascular periférica, além de relação significativa com doenças cerebrovasculares e aumento da mortalidade.
A pesquisa, conduzida por Clark e colaboradores, reuniu dados de estudos publicados até 2011 e analisou a relação entre essas diferenças e diversas condições cardiovasculares. Os resultados levaram os autores a recomendar que a medição nos dois braços seja incorporada como prática rotineira nas consultas médicas, algo que muitos profissionais ainda não fazem.

Como medir a pressão arterial da forma correta em casa?
A precisão da leitura depende tanto do braço escolhido quanto da técnica utilizada. Para obter valores confiáveis, é importante seguir alguns cuidados essenciais durante a medição:
MEÇA NOS DOIS BRAÇOS
Na primeira vez, compare os valores e identifique o braço com maior pressão.
USE O MESMO BRAÇO
Faça as próximas medições sempre no braço com maior valor.
REPouso PRÉVIO
Permaneça sentado e em repouso por 5 minutos antes de medir.
ALTURA DO CORAÇÃO
Apoie o braço na altura do coração, com a palma voltada para cima.
Erros comuns que alteram o resultado da medição
Mesmo com o braço correto, alguns hábitos podem distorcer os valores e levar a leituras falsamente altas ou baixas. Os erros mais frequentes que devem ser evitados são:
- Medir sobre a roupa, pois o tecido interfere na captação dos sinais pela braçadeira e pode elevar artificialmente os valores
- Cruzar as pernas durante a medição, o que pode aumentar a pressão em até 8 mmHg segundo orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia
- Conversar ou mexer no celular enquanto o aparelho faz a leitura, já que qualquer estímulo pode alterar temporariamente a pressão
- Usar uma braçadeira de tamanho inadequado, especialmente em braços muito finos ou muito grossos, o que compromete a precisão do resultado
Quando a diferença entre os braços exige avaliação médica?
Se ao medir nos dois braços a diferença for consistentemente maior que 10 mmHg, é importante relatar isso ao médico na próxima consulta. Esse dado simples pode ajudar a identificar precocemente problemas circulatórios que muitas vezes não apresentam nenhum outro sintoma visível.
Pessoas com histórico de hipertensão, diabetes ou colesterol alto devem ter atenção redobrada a essa diferença, pois fazem parte do grupo com maior probabilidade de desenvolver complicações vasculares. Em qualquer situação de dúvida sobre os valores encontrados ou sobre como interpretar os resultados, o mais seguro é consultar um médico para uma avaliação individualizada e orientações adequadas ao seu caso.









