Sentir que a rotina se tornou pesada demais é algo cada vez mais comum, mas existe uma forma prática de lidar com isso. A Clínica Mayo, uma das instituições de saúde mais respeitadas do mundo, propõe a técnica dos 4 As como método para identificar a melhor resposta diante de cada situação estressante. A estratégia se baseia em quatro ações — evitar, alterar, aceitar e adaptar — que podem ser aplicadas no dia a dia sem a necessidade de grandes mudanças na rotina.
O que é a técnica dos 4 As e como ela funciona?
A estratégia dos 4 As recebe esse nome a partir das iniciais em inglês das quatro respostas possíveis ao estresse: avoid (evitar), alter (alterar), accept (aceitar) e adapt (adaptar). A proposta da Clínica Mayo é que, diante de qualquer fator estressante, a pessoa avalie qual dessas quatro abordagens é a mais adequada para aquele momento específico.
A ideia central é que nem toda fonte de estresse exige a mesma reação. Algumas situações podem ser eliminadas da rotina, outras precisam ser transformadas, e há aquelas que só podem ser enfrentadas por meio da aceitação ou de uma mudança de perspectiva. Com a prática, essa avaliação se torna mais natural e eficiente.
Evitar e alterar são as primeiras linhas de defesa
Os dois primeiros As funcionam como ações preventivas, voltadas a reduzir o contato com as fontes de tensão ou a transformá-las antes que o estresse se instale. A Clínica Mayo sugere algumas práticas simples para aplicá-los no dia a dia:
EVITAR O DESNECESSÁRIO
Antecipar-se ao trânsito, organizar refeições e aprender a dizer “não” reduz fontes previsíveis de tensão.
AFASTAR GATILHOS
Manter distância de gatilhos emocionais e reorganizar a rotina diminui situações recorrentes de estresse.
ALTERAR O QUE É POSSÍVEL
Expressar sentimentos com clareza e estabelecer limites saudáveis ajuda a transformar situações tensas.
REORGANIZAR PRIORIDADES
Agrupar tarefas e definir o que é urgente reduz a sensação de sobrecarga.
Aceitar e adaptar ajudam quando a situação foge do controle
Nem toda fonte de estresse pode ser eliminada ou modificada. Para essas situações, a Clínica Mayo recomenda trabalhar a resposta interna por meio da aceitação e da adaptação. Algumas formas práticas de aplicar esses dois As incluem:
- Buscar apoio emocional — conversar com pessoas de confiança sobre o que está sentindo ajuda a aliviar a carga e a ganhar novas perspectivas sobre o problema.
- Abandonar ressentimentos — guardar mágoas consome energia que poderia ser direcionada para ações mais construtivas.
- Reformular pensamentos negativos — perguntar a si mesmo se aquela situação terá importância daqui a um mês ou um ano ajuda a redimensionar a tensão do momento.
- Redefinir expectativas — abrir mão da busca pela perfeição e aceitar soluções possíveis, em vez de ideais, diminui a frustração no dia a dia.

Revisão científica confirma que técnicas de manejo do estresse reduzem o cortisol
A eficácia de estratégias de gerenciamento do estresse vai além da percepção subjetiva de bem-estar. Segundo a revisão sistemática com metanálise “Effectiveness of stress management interventions to change cortisol levels: a systematic review and meta-analysis”, publicada na revista Psychoneuroendocrinology em 2024, intervenções voltadas ao controle do estresse foram capazes de reduzir significativamente os níveis de cortisol, o principal hormônio relacionado à resposta de estresse no corpo. O trabalho analisou 58 ensaios clínicos randomizados com mais de 3.500 participantes e demonstrou que práticas como meditação, relaxamento e atenção plena apresentaram os melhores resultados na modulação desse hormônio.
Quando o estresse exige mais do que técnicas do dia a dia?
A técnica dos 4 As é uma ferramenta valiosa para lidar com o estresse cotidiano, mas não substitui o acompanhamento profissional quando os sintomas se tornam persistentes. Sinais como insônia frequente, irritabilidade constante, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento podem indicar que o nível de estresse ultrapassou o que pode ser administrado sozinho.
Se você percebe que o estresse está comprometendo sua qualidade de vida, seu trabalho ou seus relacionamentos, o mais indicado é buscar orientação de um médico ou psicólogo. Somente um profissional de saúde pode avaliar o quadro de forma completa e recomendar o tratamento mais adequado para cada situação.









