A exposição a PFAS, substâncias químicas persistentes usadas em diversos produtos, pode não causar sintomas imediatos, mas pode deixar pistas em exames de sangue. Uma delas é a alteração do colesterol total e do LDL, conhecido como colesterol “ruim”.
O que são PFAS
PFAS são compostos químicos usados para resistir à água, gordura e calor. Eles podem estar presentes em alguns revestimentos antiaderentes, embalagens de alimentos, tecidos impermeáveis, espumas contra incêndio e outros produtos industriais.
O problema é que essas substâncias se degradam lentamente no ambiente e podem se acumular no organismo. Por isso, são frequentemente chamadas de químicos eternos.
Por que o colesterol pode mudar
As alterações no colesterol podem aparecer antes de qualquer sintoma percebido pela pessoa. Isso acontece porque os PFAS têm sido associados a mudanças no metabolismo de gorduras e em marcadores ligados ao fígado.
- Aumento do colesterol total em alguns grupos expostos;
- Elevação do LDL, marcador ligado ao risco cardiovascular;
- Possível alteração na relação entre colesterol total e HDL;
- Mudanças silenciosas, detectadas apenas em exames laboratoriais.

O que diz o estudo científico
Um estudo transversal chamado Legacy, alternative, and precursor PFAS and associations with lipids and liver function biomarkers, publicado no International Journal of Hygiene and Environmental Health, avaliou PFAS, lipídios e marcadores de função hepática em 282 mulheres adultas do estudo canadense MIREC-ENDO.
Os pesquisadores observaram que alguns PFAS tradicionais, alternativos e precursores se associaram a níveis mais altos de colesterol total, LDL e relação colesterol total/HDL. A mistura de 7 PFAS também foi ligada a aumento de até 10% no colesterol total e no LDL.
Onde a exposição pode acontecer
A exposição pode variar conforme região, hábitos, ocupação e contato com água ou produtos contaminados. Nem toda exposição causa doença, mas reduzir fontes evitáveis pode ser uma medida prudente.
- Água potável contaminada em áreas específicas;
- Algumas embalagens resistentes a gordura;
- Panelas antiaderentes danificadas ou muito antigas;
- Tecidos impermeáveis e produtos com tratamento antimancha;
- Ambientes ocupacionais com uso de espumas ou processos industriais.

O que fazer diante de colesterol alto
Colesterol alto não significa, por si só, exposição a PFAS. Dieta, genética, sedentarismo, diabetes, hipotireoidismo e uso de medicamentos também podem influenciar os resultados. Para entender melhor os exames e os riscos, veja o conteúdo sobre colesterol alto.
Quando há suspeita de exposição ambiental ou ocupacional, o ideal é conversar com um médico e avaliar histórico, exames e possíveis fontes. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









