Síndrome de pica é um quadro em que a pessoa ingere substâncias sem valor nutritivo, como terra, papel, giz, cabelo ou tinta, de forma repetida e persistente. Na infância, isso merece atenção porque pode ser confundido com exploração oral comum, mas envolve risco de intoxicação, obstrução intestinal, parasitoses, lesões na boca e deficiência de ferro, o que muda totalmente a conduta.
Quando deixa de ser curiosidade infantil e passa a ser sinal de alerta?
Na primeira infância, levar objetos à boca faz parte do desenvolvimento. O problema aparece quando esse comportamento continua além do esperado, ocorre com frequência e envolve ingestão real de itens não alimentares. Nesses casos, a síndrome de pica deixa de ser uma fase e passa a sugerir um transtorno alimentar que precisa de avaliação clínica.
Alguns sinais ajudam a diferenciar uma situação da outra:
- ingestão repetida de terra, sabão, papel, gelo, cabelo ou tinta
- comportamento mantido por semanas ou meses
- queda do apetite para alimentos habituais
- dor abdominal, vômitos, prisão de ventre ou fezes escurecidas
- histórico de atraso do desenvolvimento ou dificuldades de comunicação
O que a pesquisa recente mostrou sobre pica na infância?
Pesquisa publicada em 2023 acompanhou crianças em diferentes idades e observou que o comportamento foi mais frequente por volta dos 36 meses, com redução ao longo do tempo em muitos casos, mas com recorrência em parte delas. O dado mais importante foi a associação consistente com autismo ao longo do seguimento, o que reforça que a pica não deve ser tratada como mera curiosidade passageira. O estudo pode ser lido no link sobre maior frequência da pica aos 36 meses e sua recorrência.
Esse achado ajuda a organizar a observação dos cuidadores. Se a ingestão de substâncias persiste, reaparece ou surge junto de dificuldades no desenvolvimento, o acompanhamento pediátrico precisa considerar comportamento alimentar, estado nutricional, saúde intestinal e contexto neuropsicomotor.

Quais causas podem estar por trás desse comportamento?
A síndrome de pica pode surgir em cenários diferentes. Entre eles estão deficiência de ferro, deficiência de zinco, condições do neurodesenvolvimento, estresse intenso e alguns quadros psiquiátricos. Em gestantes e crianças pequenas, a investigação clínica costuma incluir anemia, alimentação seletiva, rotina familiar e exposição a substâncias tóxicas.
Para quem quer comparar sintomas, fatores associados e formas de diagnóstico, há um conteúdo em inglês do Tua Saúde que resume os sinais e causas da pica. Esse tipo de material ajuda a reconhecer padrões, mas não substitui exame físico, história detalhada e, quando indicado, exames laboratoriais.
Como é feito o diagnóstico e quais exames podem ser pedidos?
O diagnóstico é clínico. O profissional avalia o que está sendo ingerido, há quanto tempo, em que quantidade e se existe risco imediato, como ingestão de vidro, metal, solo contaminado ou tinta com chumbo. Também observa crescimento, peso, dentição, pele, fezes, dor abdominal e sinais de carência nutricional.
Os exames variam conforme a suspeita, mas costumam incluir:
- hemograma para investigar anemia
- ferritina e ferro sérico
- zinco, quando houver indicação
- exames de fezes em contexto de contaminação
- radiografia ou ultrassom se houver suspeita de obstrução ou corpo estranho
Qual é o tratamento correto para a síndrome de pica?
O tratamento depende da causa e do risco envolvido. Quando há carência nutricional, a correção de ferro ou outros micronutrientes pode reduzir o comportamento. Se houver autismo, deficiência intelectual ou outro transtorno do neurodesenvolvimento, o plano costuma combinar pediatra, psiquiatra ou neurologista infantil, nutricionista e psicologia, com orientação prática aos cuidadores.
Outra investigação, publicada em 2023, apontou benefício do uso de um checklist doméstico para reduzir oportunidades de ingestão de itens perigosos, com foco na organização do ambiente e na supervisão. O estudo sobre medidas de segurança para diminuir o acesso a objetos não alimentares reforça que manejo ambiental faz parte do cuidado. Na rotina, isso inclui guardar pequenos objetos, restringir acesso a terra e produtos químicos, observar horários de maior impulsividade e oferecer estratégias seguras de regulação sensorial.
Em que situações a família deve buscar ajuda sem esperar?
A avaliação deve ser rápida quando a criança engole objetos cortantes, pilhas, terra de procedência duvidosa, fezes, tinta, produtos de limpeza ou grandes quantidades de cabelo e papel. Dor abdominal, sangue nas fezes, vômitos repetidos, sonolência, perda de peso e recusa alimentar também exigem atenção imediata. Na prática, o risco maior não é o objeto em si, mas a soma entre toxicidade, infecção, impacto nutricional e lesão digestiva.
Observar o padrão do comportamento, registrar episódios e levar exemplos concretos para a consulta acelera a investigação. Quando a ingestão de substâncias não alimentares persiste, o cuidado precisa olhar para nutrição, desenvolvimento, segurança do ambiente e saúde gastrointestinal, porque a síndrome de pica raramente é um hábito inocente isolado.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se houver sintomas, ingestão de substâncias perigosas ou dúvidas sobre o quadro, procure orientação médica.









