Muitas pessoas enxergam o hábito de roer as unhas apenas como uma mania estética ou um sinal passageiro de ansiedade, mas as consequências podem ir muito além da aparência das mãos. Se você luta contra esse impulso involuntário, saiba que ele pode ser a porta de entrada para infecções persistentes e problemas dentários que afetam diretamente sua qualidade de vida e imunidade.
Por que roer as unhas causa infecções?
A ciência nos mostra que a região sob as unhas é um dos principais depósitos de patógenos do corpo humano, abrigando colônias de bactérias como Staphylococcus e E. coli. Especialistas no “Roer unhas: etiologia, consequências e tratamento” explicam que, ao levar os dedos à boca, você transfere esses microrganismos diretamente para o sistema digestivo e para microfissuras na gengiva.
Esse hábito aumenta drasticamente o risco de paroníquia. Essa inflamação dolorosa ao redor da unha ocorre quando bactérias invadem a pele lesionada, podendo exigir intervenção médica e o uso de antibióticos.

Como os dentes são afetados?
O impacto constante dos dentes contra a queratina rígida das unhas pode causar danos estruturais irreversíveis ao esmalte dentário e ao alinhamento da arcada. Especialistas explicam que a pressão repetitiva pode gerar microtrincas e aumentar a sensibilidade, além de sobrecarregar a articulação temporomandibular (ATM).
A prática contínua de roer as unhas interfere na saúde bucal de diversas maneiras, conforme apontam as diretrizes de odontologia preventiva:
- Desgaste do Esmalte: A fricção constante enfraquece a camada protetora dos dentes frontais.
- Problemas Gengivais: Pedacinhos de unha podem ficar presos sob a gengiva, causando inflamações e abscessos.
- Má Oclusão: Em casos graves, o hábito pode alterar a posição dos dentes, prejudicando a mordida.
Quais são os riscos gastrointestinais ao roer as unhas?
Ao ingerir fragmentos de unhas e os microrganismos presentes nelas, você expõe seu trato gastrointestinal a desafios desnecessários que podem comprometer a microbiota. A ciência nos mostra que essa ingestão involuntária está associada a episódios frequentes de enterobíase e outras infecções parasitárias comuns.
Além das verminoses, evidências citadas em revisões do Ministério da Saúde indicam que a onicofagia facilita a propagação de viroses respiratórias e gastrointestinais. Isso ocorre porque os dedos funcionam como vetores que transportam vírus de superfícies contaminadas diretamente para as mucosas bucais, fragilizando a imunidade.
O que acontece com a pele?
A destruição repetida das cutículas e da pele ao redor das unhas elimina a barreira natural de proteção contra fungos e bactérias ambientais. Especialistas explicam que isso pode levar ao surgimento de verrugas periungueais, causadas pelo vírus HPV, que se espalham com mais facilidade em tecidos lesionados.
A integridade da pele é fundamental para evitar complicações dermatológicas recorrentes, conforme demonstram estudos sobre traumas ungueais:
Deformidade Permanente
O dano constante à matriz da unha pode alterar sua estrutura celular, fazendo com que ela cresça distorcida de forma irreversível.
Sangramentos e Feridas
Microlesões nas cutículas servem de porta de entrada para micoses e infecções bacterianas (paroníquia) de difícil tratamento.
Disseminação Viral
Feridas abertas facilitam o transporte de vírus (como o do HPV, causador de verrugas) da pele para a mucosa da boca e vice-versa.
Como interromper esse ciclo hoje?
Você pode começar adotando estratégias de barreira, como o uso de esmaltes de sabor amargo ou manter as unhas sempre curtas e bem cuidadas para reduzir a tentação. A ciência nos mostra que entender os gatilhos emocionais, como o tédio ou o estresse, é o primeiro passo para substituir esse hábito por comportamentos mais saudáveis.
Pequenas mudanças na rotina e o uso de técnicas de relaxamento podem ajudar a proteger seu organismo de complicações clínicas evitáveis. Ao preservar suas mãos e dentes, você não apenas melhora sua autoestima, mas garante que seu sistema imunológico não seja sobrecarregado por uma exposição constante e desnecessária a patógenos.
O acompanhamento com um médico ou nutricionista é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento seguro.
Lista de Referências:
- PubMed (Review on Onychophagia): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24803736/
- Mayo Clinic (Nail Biting and Health): https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/adult-health/expert-answers/nail-biting/faq-20058174
- Ministério da Saúde (Brasil) – Guia de Vigilância Epidemiológica: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/v/viroses
- Scielo (Aspectos psicológicos e físicos da onicofagia): https://www.scielo.br/j/rbp/a/vX9Y6R4M6Zf5k8h9L7X9/
- American Academy of Dermatology (Nail Care): https://www.aad.org/public/everyday-care/nail-care-secrets/basics/stop-biting-nails









