A saúde do coração está mais conectada à saúde da boca do que muitas pessoas imaginam. A doença periodontal, inflamação crônica das gengivas, libera bactérias e substâncias inflamatórias na circulação, processo que tem sido associado a um maior risco de infarto, AVC e aterosclerose. Cardiologistas e periodontistas concordam que cuidar da boca é uma das estratégias mais subestimadas na prevenção cardiovascular. Entenda essa relação importante.
Como a saúde bucal impacta o coração?
Quando a placa bacteriana se acumula entre os dentes e a gengiva, surge a inflamação local conhecida como gengivite, que pode evoluir para periodontite, forma mais avançada da doença periodontal. Nessa fase, há perda de tecido de sustentação dos dentes e abertura de pequenas portas para bactérias entrarem na corrente sanguínea.
Esse processo é chamado de bacteremia de baixo grau e mantém o organismo em estado inflamatório contínuo. As bactérias e citocinas liberadas, como interleucina-6 e TNF-alfa, atingem os vasos sanguíneos e contribuem para a disfunção endotelial e a formação de placas de aterosclerose.
Por que a inflamação sistêmica aumenta o risco de infarto e AVC?
A inflamação sistêmica é hoje reconhecida como um dos pilares da doença cardiovascular, ao lado do colesterol elevado, da hipertensão e do diabetes. Marcadores como a proteína C-reativa de alta sensibilidade indicam o nível dessa inflamação no organismo e ajudam a estimar o risco cardíaco.
Na presença de periodontite crônica, esses marcadores tendem a permanecer elevados, favorecendo a progressão da aterosclerose, a instabilidade das placas nas artérias e o risco de eventos agudos como infarto e acidente vascular cerebral.

Quais sinais indicam que a saúde bucal precisa de atenção?
Muitos sinais precoces de doença periodontal são ignorados por parecerem comuns ou pouco graves. Reconhecê-los é fundamental para evitar a evolução do quadro e o impacto sobre a saúde cardiovascular. Entre os principais sinais estão:

Revisão científica confirma a conexão entre boca e coração
A relação entre saúde bucal e doença cardiovascular vem sendo amplamente investigada por cardiologistas e periodontistas. Segundo a revisão científica The Systemic Link Between Oral Health and Cardiovascular Disease Contemporary Evidence, Mechanisms, and Risk Factor Implications publicada na revista Diseases em 2025, as evidências atuais apoiam uma associação consistente entre inflamação periodontal crônica e risco cardiovascular.
A revisão por pares destaca que essa conexão é mediada pela liberação sistêmica de citocinas inflamatórias como IL-6, TNF-alfa e proteína C-reativa, além de produtos bacterianos que promovem a ativação endotelial e a aterogênese. Os autores apontam ainda que o tratamento periodontal reduz a carga inflamatória sistêmica e melhora parâmetros vasculares, reforçando o papel da saúde bucal na prevenção cardiovascular.
Como cuidar da saúde bucal para proteger o coração?
Adotar uma rotina de higiene oral consistente é uma das formas mais simples e acessíveis de reduzir a inflamação sistêmica e proteger o sistema cardiovascular. Os hábitos diários, somados ao acompanhamento profissional, fazem diferença real ao longo dos anos.
As principais recomendações da odontologia e cardiologia preventiva incluem:
- Escovar os dentes ao menos duas vezes ao dia, com técnica e tempo adequados
- Usar fio dental diariamente, removendo a placa entre os dentes
- Fazer limpeza profissional a cada seis meses, ou conforme orientação
- Tratar precocemente sinais de gengivite antes que evoluam para periodontite
- Evitar o tabagismo, fator que agrava a doença periodontal e cardiovascular
- Controlar diabetes, hipertensão e colesterol, que potencializam o risco
- Manter alimentação anti-inflamatória, rica em fibras, vegetais e gorduras boas
O acompanhamento conjunto com dentista e cardiologista é especialmente importante para pessoas com fatores de risco cardiovascular, como histórico familiar, diabetes, hipertensão ou tabagismo. Tratar a doença periodontal pode reduzir marcadores como a proteína C-reativa em poucos meses, atuando como uma frente complementar de proteção do coração e das artérias.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação de um médico, cardiologista ou dentista. Diante de sinais de doença gengival, sintomas cardiovasculares ou fatores de risco para infarto e AVC, busque orientação profissional para diagnóstico individualizado e tratamento adequado.









