Aquelas pequenas placas amareladas que surgem nas pálpebras costumam ser confundidas com alterações estéticas e tratadas apenas com cremes. No entanto, segundo cardiologistas, esse sinal recebe o nome de xantelasma e pode revelar alterações nos lipídios sanguíneos. Reconhecê-lo a tempo é fundamental para investigar o colesterol e proteger a saúde cardiovascular antes que surjam complicações mais graves.
O que é o xantelasma?
O xantelasma é o acúmulo de depósitos de gordura e colesterol logo abaixo da pele, principalmente na parte interna das pálpebras superiores. As lesões são planas, amareladas, indolores e tendem a aparecer de forma simétrica nos dois olhos.
Embora seja considerado benigno, pode funcionar como um aviso visual de alterações no metabolismo das gorduras. Por isso, ao identificar as lesões, é importante investigar os níveis de colesterol e considerar a presença de outros tipos de xantoma em outras regiões do corpo.
Quais condições podem estar associadas?
Embora cerca de metade das pessoas com xantelasma apresente colesterol normal, o sinal merece atenção porque pode refletir distúrbios sistêmicos. Reconhecer as condições associadas ajuda a direcionar a investigação clínica.

O que mostra um estudo científico sobre o tema?
A relação entre xantelasma e risco cardiovascular foi documentada em uma das maiores investigações sobre o assunto. Segundo o estudo de coorte prospectivo Xanthelasmata, Arcus Corneae, and Ischaemic Vascular Disease and Death in General Population publicado na revista BMJ, a presença de xantelasmas prediz maior risco de infarto, doença isquêmica do coração e morte na população geral.
O estudo, que acompanhou 12.745 pessoas por até 33 anos no Copenhagen City Heart Study, mostrou que esse risco é independente dos fatores cardiovasculares clássicos, incluindo colesterol e triglicerídeos. Os autores reforçam que o sinal merece atenção médica mesmo em pessoas com lipidograma normal.

Quando procurar avaliação médica?
Identificar placas amareladas nas pálpebras é motivo suficiente para procurar avaliação clínica. O cardiologista costuma solicitar exames laboratoriais para entender o quadro e definir a melhor conduta.
- Lipidograma completo, com colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos
- Glicemia em jejum e hemoglobina glicada
- Avaliação da função hepática e tireoidiana
- Histórico familiar de colesterol alto ou doença cardiovascular
- Aferição de pressão arterial e medida da circunferência abdominal
- Investigação de outros sinais como arco corneano e xantomas em tendões
Esses dados ajudam a confirmar se o xantelasma reflete um quadro de colesterol alto ou outras alterações metabólicas que precisam de tratamento específico.
Como cuidar do colesterol além da estética?
Cremes e tratamentos estéticos podem melhorar a aparência das placas, mas não corrigem a causa de fundo. Por isso, cardiologistas reforçam a importância de associar mudanças no estilo de vida ao acompanhamento médico contínuo.
Reduzir o consumo de gorduras saturadas e ultraprocessados, praticar exercícios regularmente, evitar o tabagismo e manter o peso adequado são medidas eficazes. Adotar uma dieta para baixar o colesterol equilibrada protege as artérias e contribui para reduzir o risco cardiovascular a longo prazo.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









