Sentir que a mente nunca para ou que a produtividade está sempre abaixo do esperado é uma angústia comum que leva muitos adultos a se questionarem se o problema é o excesso de preocupação ou uma dificuldade biológica de foco. A confusão entre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Ansiedade é frequente, pois ambos compartilham sintomas como inquietação e esquecimentos, mas têm origens e tratamentos distintos. Descobrir a verdadeira raiz desse “caos mental” é o primeiro passo para recuperar o controle da sua rotina e, finalmente, entender por que certas tarefas parecem montanhas intransponíveis para você.
Qual é a diferença entre TDAH e ansiedade?
A ciência nos mostra que, embora pareçam semelhantes, o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, enquanto a ansiedade é uma resposta emocional a ameaças percebidas. Especialistas da Health.com no “Como saber se você tem TDAH” explicam que no TDAH a falta de foco ocorre devido à regulação da dopamina, enquanto na ansiedade a mente se dispersa porque está focada em preocupações futuras.
Adultos com TDAH costumam ser desatentos desde a infância, independentemente do humor. Já na ansiedade, a dificuldade de concentração surge geralmente em períodos de maior estresse, funcionando como um sintoma secundário de um estado emocional alterado e vigilante.
Como o TDAH se manifesta em adultos?
Diferente do que muitos pensam, a hiperatividade no adulto costuma ser interna, manifestando-se como uma sensação de inquietação mental ou tédio constante. Especialistas explicam que o diagnóstico tardio ocorre porque muitos desenvolvem estratégias de compensação exaustivas para mascarar a desorganização e a impulsividade no trabalho.
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o impacto na vida adulta vai além da falta de atenção, afetando a regulação das emoções e a gestão do tempo. A ciência nos mostra que o sentimento de “potencial não atingido” é uma marca registrada desse quadro, gerando frustração crônica e, muitas vezes, quadros depressivos secundários.

Quais são os sintomas clássicos de TDAH?
Muitos adultos vivem no “modo automático”, sem perceber que pequenos sinais cotidianos podem indicar um funcionamento cerebral atípico. A ciência nos mostra que observar a frequência desses comportamentos é essencial, já que todos podemos ser esquecidos ocasionalmente, mas no TDAH esses traços são persistentes e prejudiciais.
Procrastinação Crônica
Dificuldade extrema em iniciar tarefas que exigem esforço mental contínuo, levando ao acúmulo de demandas.
Esquecimentos
Perda constante de objetos de uso diário (chaves, celular) ou de compromissos e prazos importantes.
Dificuldade de Escuta
Sensação de que a mente “viaja” ou se desconecta enquanto outra pessoa está falando diretamente com você.
Impulsividade
Hábito de interromper conversas ou tomar decisões precipitadas sem avaliar as consequências futuras.
O TDAH e a ansiedade podem ocorrer juntos?
Infelizmente, é muito comum que ambos coexistam, um fenômeno que a ciência chama de comorbidade e que exige um olhar clínico atento. O “Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em Adultos e comorbidades”, mostra que cerca de metade dos adultos com TDAH também apresentam transtornos de ansiedade.
Especialistas no “Transtornos do neurodesenvolvimento e do neurocomportamento” explicam que, muitas vezes, a ansiedade é uma consequência direta de viver com TDAH não tratado, surgindo pelo medo de cometer erros ou esquecer prazos. Tratar apenas a ansiedade nesses casos pode ser ineficaz se a desatenção primária, que gera o estresse, não for devidamente abordada e gerenciada.
Como buscar ajuda e diagnóstico correto?
O processo de descoberta começa com uma avaliação neuropsicológica detalhada, já que não existe um exame de sangue para identificar esses transtornos. O tratamento costuma ser multidisciplinar, combinando terapia cognitivo-comportamental com mudanças de hábitos e, em alguns casos, medicação.
- Avaliação Clínica: Consulta com psiquiatra ou neurologista especializado em transtornos do desenvolvimento em adultos.
- Psicoterapia: Ferramentas para organizar a rotina e lidar com a autocrítica excessiva gerada pelos sintomas.
- Higiene de Vida: Prática de exercícios e sono regular, que ajudam na regulação dopaminérgica conforme o Ministério da Saúde.
O acompanhamento com um médico é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento seguro.









