Muitas pessoas associam a enxaqueca apenas ao estresse e à tensão do dia a dia, mas a ciência mostra que há outro fator silencioso por trás das crises. A inflamação neuronal causada pela deficiência de magnésio e de riboflavina, a vitamina B2, pode ser o gatilho que mantém o cérebro mais vulnerável à dor. Compreender essa relação é o primeiro passo para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.
Como a deficiência de magnésio influencia a enxaqueca?
O magnésio regula a excitabilidade dos neurônios do nervo trigêmeo, estrutura diretamente envolvida na origem da dor da enxaqueca. Quando os níveis desse mineral estão baixos, os vasos sanguíneos cerebrais ficam mais reativos e o limiar para o início de uma crise diminui.
Estudos de neurologia indicam que até metade dos pacientes com enxaqueca crônica apresenta deficiência desse mineral. Por isso, garantir uma boa ingestão diária por meio da alimentação ou, quando indicado, do suplemento de magnésio é uma estratégia complementar importante no manejo do quadro.

Qual o papel da riboflavina no cérebro?
A riboflavina, ou vitamina B2, atua diretamente no metabolismo energético das mitocôndrias, as estruturas responsáveis pela produção de energia nos neurônios. Em pessoas com enxaqueca, essa produção tende a estar comprometida, o que aumenta a sensibilidade do cérebro a estímulos e gatilhos.
Ao melhorar a eficiência mitocondrial, a riboflavina ajuda a estabilizar o funcionamento neuronal e a reduzir a frequência das crises. Esse efeito tem se mostrado especialmente relevante em casos crônicos, em que outros fatores, como estresse e privação de sono, somam-se à vulnerabilidade metabólica.
O que mostra o estudo clínico sobre riboflavina e enxaqueca?
A relação entre vitamina B2 e prevenção da enxaqueca foi confirmada em pesquisas clínicas controladas. Segundo o ensaio clínico randomizado Effectiveness of high-dose riboflavin in migraine prophylaxis, conduzido por Schoenen e colaboradores e publicado na revista científica Neurology, a suplementação com 400 mg de riboflavina por dia, durante três meses, reduziu de forma significativa a frequência das crises e o número de dias com dor de cabeça.
Os autores observaram que cerca de 59% dos participantes apresentaram melhora de pelo menos 50% nos sintomas, contra apenas 15% no grupo placebo, reforçando o papel da vitamina B2 como aliada da profilaxia da enxaqueca.
Quais alimentos ajudam a repor magnésio e riboflavina?
Antes de pensar em suplementos, é possível buscar esses nutrientes na alimentação cotidiana. Uma dieta equilibrada, rica em alimentos naturais, contribui de forma consistente para a manutenção dos níveis adequados.
Boas fontes de magnésio incluem:

Já a riboflavina pode ser encontrada principalmente em:
- Ovos, em especial a clara;
- Leite e derivados, como iogurte natural e queijos magros;
- Carnes magras, fígado e peixes como sardinha e salmão;
- Cereais integrais, como aveia e arroz integral;
- Vegetais verdes, como brócolis e aspargos.
Quando procurar um neurologista?
Crises frequentes, dores que duram mais de 72 horas, episódios acompanhados de alterações visuais persistentes ou que limitam as atividades diárias merecem investigação especializada. O neurologista pode avaliar a necessidade de exames, identificar deficiências nutricionais e definir o melhor plano terapêutico.
Conhecer as principais causas da enxaqueca ajuda a identificar gatilhos pessoais, mas o uso de suplementos como magnésio e riboflavina, bem como qualquer ajuste nos tratamentos para enxaqueca, deve sempre ser feito sob orientação médica.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui, em nenhuma hipótese, a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico neurologista, clínico geral ou nutricionista qualificado. Em caso de crises persistentes, procure orientação profissional.









