Mesmo em um país ensolarado como o Brasil, a deficiência de vitamina D é mais comum do que se imagina e afeta uma parcela significativa da população adulta. Fatores como estilo de vida urbano, uso de protetor solar e pouco tempo ao ar livre fazem com que a exposição solar nem sempre seja suficiente para manter os níveis adequados. Entender quando o sol basta e quando a suplementação se torna necessária é essencial para evitar riscos à saúde dos ossos, dos músculos e do sistema imunológico.
Por que a vitamina D é importante para o organismo?
A vitamina D atua na absorção de cálcio e fósforo, sendo fundamental para a formação e manutenção dos ossos, dos dentes e da musculatura. Ela também participa da regulação do sistema imunológico e está associada a funções neurológicas e cardiovasculares.
Cerca de 80% a 90% da vitamina D é produzida pela pele em contato com os raios solares, enquanto uma parte menor vem da alimentação. Conhecer as fontes e o papel desse nutriente ajuda a reconhecer sinais precoces de deficiência de vitamina D e buscar avaliação adequada.
Quais fatores reduzem a produção de vitamina D pela pele?
Apesar da alta incidência solar em países tropicais, vários elementos interferem na síntese cutânea e ajudam a explicar a alta prevalência de insuficiência. Conhecer esses fatores permite identificar quem tem maior risco de apresentar níveis baixos do nutriente.

O que diz um estudo científico brasileiro sobre o tema?
A realidade da deficiência no Brasil foi documentada por pesquisadores da Fiocruz em parceria com universidades nacionais. Segundo o estudo Epidemiology of Vitamin D (EpiVida) – A Study of Vitamin D Status Among Healthy Adults in Brazil, publicado no Journal of the Endocrine Society em 2022, a prevalência de insuficiência do nutriente foi de 50,9% e a de deficiência de 15,3% em adultos saudáveis das cidades de Salvador, São Paulo e Curitiba, mesmo nas coletas feitas durante o verão.
Os pesquisadores identificaram que maior índice de massa corporal e latitude mais elevada foram preditores significativos de deficiência, enquanto maior tempo de exposição solar e uso atual de suplementos atuaram como fatores protetores. O dado reforça que sol abundante não garante, por si só, níveis adequados.

Quem deve considerar a suplementação de vitamina D?
A suplementação não deve ser iniciada por conta própria, pois o excesso de vitamina D pode provocar acúmulo de cálcio no sangue, náuseas, fraqueza e danos aos rins. A indicação depende da avaliação clínica e da dosagem sérica de 25-hidroxivitamina D no exame de sangue, solicitada pelo médico ou nutricionista.
Diretrizes atuais priorizam a suplementação em grupos com maior risco de níveis insuficientes, que geralmente precisam de acompanhamento regular.
- Idosos, especialmente acima dos 75 anos, pela menor capacidade de síntese cutânea.
- Gestantes e lactantes, pela maior demanda do nutriente.
- Pessoas com obesidade ou sobrepeso significativo.
- Indivíduos com doenças que reduzem a absorção intestinal, como doença celíaca e inflamatória intestinal.
- Usuários crônicos de anticonvulsivantes, corticoides e antirretrovirais.
- Pessoas com pouca exposição solar ou que trabalham em ambientes fechados.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Antes de iniciar qualquer suplementação de vitamina D, procure orientação profissional para dosagem laboratorial e definição da conduta adequada ao seu caso.









