O zumbido no ouvido nem sempre é resultado de estresse ou exposição a ruídos altos. Em muitos casos, esse som persistente é um alerta do corpo para condições silenciosas como a hipertensão arterial e a deficiência de vitamina B12, que afetam diretamente a circulação e o funcionamento do nervo auditivo. Identificar a causa real é fundamental para escolher o tratamento certo e evitar complicações maiores.
Por que o zumbido no ouvido vai além do estresse?
Conhecido na medicina como tinnitus, o zumbido é a percepção de um som sem fonte externa, descrito como apito, chiado ou pulsação. Estima-se que afete entre 15% e 20% da população mundial, e em boa parte dos casos está ligado a alterações vasculares e metabólicas, não apenas emocionais.
O ouvido interno é uma estrutura altamente sensível ao fluxo sanguíneo e à integridade dos nervos. Por isso, qualquer alteração na circulação ou no metabolismo pode comprometer as células cocleares e gerar o sintoma.
Quais são as principais causas do zumbido além do estresse?
Embora a tensão emocional possa intensificar o sintoma, o zumbido raramente surge isolado dela. Existem causas clínicas frequentes que merecem investigação por um otorrinolaringologista. Entre as mais comuns estão:

Em casos de obstrução por cera, por exemplo, o desconforto pode aparecer junto com sensação de ouvido tampado e perda auditiva temporária, como ocorre no cerume impactado.
Como a pressão alta e a falta de vitamina B12 afetam o ouvido?
A hipertensão provoca alterações nos pequenos vasos sanguíneos do ouvido interno, reduzindo a chegada de oxigênio às células cocleares. Esse desequilíbrio vascular costuma gerar o chamado zumbido pulsátil, em que o som acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos.
Já a vitamina B12 é essencial para manter a bainha de mielina do nervo vestibulococlear, responsável por transmitir os sinais sonoros ao cérebro. Quando há deficiência, os impulsos nervosos chegam de forma distorcida, contribuindo para o zumbido. Sinais que podem indicar essa carência incluem:
- Fadiga persistente e fraqueza muscular
- Formigamento nas mãos e nos pés
- Problemas de memória e concentração
- Palidez e falta de ar aos esforços
- Alterações de humor e irritabilidade

Como um estudo científico relaciona vitamina B12 ao zumbido?
A relação entre cobalamina e zumbido vem sendo investigada por otorrinolaringologistas há décadas, e pesquisas controladas oferecem dados consistentes sobre essa conexão. Um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, intitulado Therapeutic role of Vitamin B12 in patients of chronic tinnitus, foi conduzido com 40 pacientes e publicado em 2016 no periódico Noise & Health, indexado no PubMed.
Segundo o Therapeutic role of Vitamin B12 in patients of chronic tinnitus publicado na Noise & Health, 42,5% dos pacientes com zumbido crônico apresentavam deficiência de vitamina B12, e a reposição intramuscular semanal por seis semanas reduziu significativamente a intensidade do zumbido nos participantes deficientes, reforçando a importância da dosagem sérica de B12 na investigação clínica do sintoma.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico começa com a avaliação de um otorrinolaringologista, que investiga o histórico clínico, faz exame físico do ouvido e pode solicitar audiometria, exames de sangue para dosagem de B12, glicemia e colesterol, além da medida da pressão arterial. Em alguns casos, exames de imagem também são indicados para descartar causas estruturais, como acontece em quadros de labirintite emocional.
O tratamento depende da causa identificada e pode incluir controle da pressão arterial, reposição de vitamina B12, ajuste de medicamentos, terapias sonoras e mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, álcool e cafeína. Veja mais opções no guia de tratamento para zumbido no ouvido.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, consulte sempre um médico.









