O azeite de oliva extravirgem é considerado um dos alimentos mais protetores para o coração, e não por acaso recebe o apelido de “ouro líquido” na região do Mediterrâneo. Rico em gorduras monoinsaturadas e compostos antioxidantes, ele atua diretamente na melhora do perfil lipídico, ajudando a reduzir o colesterol ruim (LDL) e a proteger as artérias contra o acúmulo de placas de gordura. Porém, para que esses benefícios se concretizem, a quantidade consumida e a forma de uso fazem toda a diferença.
Como o azeite age sobre o colesterol nas artérias
O principal responsável pelo efeito cardioprotetor do azeite é o ácido oleico, uma gordura monoinsaturada que ajuda a diminuir os níveis de LDL no sangue sem reduzir o HDL, o colesterol considerado bom. Essa seletividade é importante porque o HDL atua como um “limpador” natural das artérias, transportando o excesso de colesterol de volta ao fígado para ser eliminado.
Além do ácido oleico, o azeite extravirgem contém polifenóis, vitamina E e outros antioxidantes que impedem que o LDL seja oxidado. Esse detalhe é fundamental porque é justamente o LDL oxidado que adere às paredes das artérias e dá início à formação de placas, processo conhecido como aterosclerose. Ao combater essa oxidação, o azeite contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e saudáveis.

O estudo PREDIMED e a redução de eventos cardiovasculares
A evidência mais robusta sobre o papel do azeite na proteção do coração vem de um dos maiores ensaios clínicos já realizados sobre dieta e saúde cardiovascular. Segundo o estudo “Primary Prevention of Cardiovascular Disease with a Mediterranean Diet Supplemented with Extra-Virgin Olive Oil or Nuts”, publicado no New England Journal of Medicine (2018) por Estruch, Ros, Salas-Salvadó e colaboradores (PREDIMED Study Investigators), participantes que seguiram uma dieta mediterrânea enriquecida com azeite extravirgem apresentaram uma redução de cerca de 30% na incidência de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral. A pesquisa acompanhou mais de 7.400 pessoas com alto risco cardiovascular durante aproximadamente cinco anos. Você pode consultar o estudo completo em: PREDIMED: Primary Prevention of Cardiovascular Disease (PubMed).
A quantidade ideal para o dia a dia
Para colher os benefícios do azeite sobre o colesterol, não é preciso exagerar. A maioria das orientações de saúde converge para uma faixa prática e segura. Veja como incluir o azeite na rotina de forma equilibrada:
- Quantidade recomendada: duas a três colheres de sopa por dia (cerca de 30 a 45 ml) são suficientes para obter os efeitos protetores sem exceder as calorias, já que cada colher possui aproximadamente 120 calorias.
- Prefira sempre o extravirgem: é o tipo que preserva a maior concentração de polifenóis e antioxidantes, pois não passa por processos de refinamento.
- Use cru sempre que possível: regar saladas, legumes, grãos e sopas já prontas com o azeite preserva melhor seus compostos bioativos do que usá-lo em frituras.
- Substitua, não adicione: o ideal é que o azeite entre no lugar de outras gorduras menos saudáveis, como manteiga, margarina e óleos refinados, e não como um acréscimo ao que já é consumido.
- Armazene corretamente: garrafas escuras, bem fechadas e longe do calor e da luz ajudam a evitar a oxidação do azeite e preservam suas propriedades.
Para saber mais sobre os benefícios do azeite e como usá-lo na alimentação, confira o conteúdo completo do Tua Saúde sobre os benefícios do azeite de oliva.

Por que o azeite sozinho não resolve o colesterol alto
Embora o azeite de oliva extravirgem seja um aliado comprovado, ele não substitui o tratamento médico para quem já tem o colesterol elevado. Seus efeitos são mais significativos quando fazem parte de um padrão alimentar equilibrado, como a dieta mediterrânea, que inclui também frutas, vegetais, peixes, grãos integrais e oleaginosas. A prática regular de exercícios físicos e o controle do peso corporal completam a estratégia de proteção cardiovascular.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui, em nenhuma hipótese, a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou nutricionista. Se você tem colesterol alto ou fatores de risco cardiovascular, procure orientação profissional para uma avaliação individualizada.









