Entre as plantas medicinais estudadas pela ciência para a saúde do fígado, o cardo-mariano se destaca como a que possui mais evidências de efeito hepatoprotetor. Conhecido cientificamente como Silybum marianum, esse vegetal é usado há séculos na medicina tradicional europeia e vem ganhando respaldo em pesquisas recentes por sua capacidade de reduzir a inflamação, proteger as células hepáticas e auxiliar na reversão do acúmulo de gordura no órgão. Consumido como chá no meio da manhã, pode se tornar um aliado simples na rotina de quem busca cuidar do fígado de forma preventiva.
Como a silimarina do cardo-mariano protege o fígado
O principal composto ativo do cardo-mariano é a silimarina, um conjunto de substâncias com forte ação antioxidante e anti-inflamatória. A silimarina age estabilizando as membranas das células do fígado, impedindo que toxinas e radicais livres penetrem e causem danos. Ao mesmo tempo, ela estimula a regeneração dos hepatócitos, as células responsáveis pelas funções hepáticas.
Esse mecanismo é particularmente importante para quem tem esteatose hepática, condição em que o acúmulo de gordura no fígado pode evoluir silenciosamente para inflamação, fibrose e, nos casos mais graves, cirrose. A silimarina também contribui para regular o metabolismo das gorduras e reduzir a resistência à insulina, dois fatores centrais na progressão da doença hepática gordurosa.

Metanálise comprova benefícios da silimarina na esteatose hepática
O potencial protetor do cardo-mariano não se limita ao uso popular. Segundo a revisão sistemática e metanálise “Administration of silymarin in NAFLD/NASH: A systematic review and meta-analysis”, publicada nos Annals of Hepatology (2024) e indexada no PubMed, a administração de silimarina reduziu significativamente as enzimas hepáticas ALT e AST, indicadores de lesão no fígado, além de melhorar o perfil lipídico e a resistência à insulina em pacientes com esteatose. O estudo incluiu 26 ensaios clínicos randomizados com 2.375 participantes e concluiu que a silimarina pode regular o metabolismo energético, atenuar o dano hepático e melhorar a histologia do fígado. Você pode consultar o estudo completo em: Administration of silymarin in NAFLD/NASH (PubMed).
Como preparar e quando tomar o chá de cardo-mariano
O preparo do chá de cardo-mariano é simples e pode ser incorporado à rotina matinal com facilidade. Siga as orientações abaixo para aproveitar melhor as propriedades da planta:
- Ingredientes: adicione uma colher de sopa de sementes ou folhas secas de cardo-mariano a uma xícara de água fervente.
- Preparo: tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos. Coe e consuma morno, sem adoçar.
- Frequência: o chá pode ser consumido de duas a três vezes ao dia, sendo o meio da manhã um bom momento, pois não interfere no jejum noturno nem na digestão do almoço.
- Atenção à qualidade: prefira o cardo-mariano adquirido em lojas de produtos naturais confiáveis, verificando a procedência e a data de validade.
Para conhecer outras opções de chás e hábitos que favorecem a saúde do fígado, confira o conteúdo completo do Tua Saúde sobre chás para o fígado.

Quem deve evitar e por que o acompanhamento médico é indispensável
Apesar do perfil considerado seguro, o chá de cardo-mariano não é indicado para todos. Gestantes, lactantes, pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae (como margarida e alcachofra) e indivíduos em uso de medicamentos para o fígado, anticoagulantes ou imunossupressores devem evitar o consumo sem orientação médica. Além disso, o chá não substitui o tratamento convencional da esteatose, que inclui mudanças na alimentação, prática de exercícios físicos e acompanhamento por exames periódicos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui, em nenhuma hipótese, a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou nutricionista. Se você tem histórico de problemas hepáticos ou deseja incluir o cardo-mariano na sua rotina, procure um hepatologista ou gastroenterologista para uma avaliação individualizada.









