Quem usa omeprazol por meses ou anos não precisa interromper o tratamento por conta própria, mas o acompanhamento merece atenção. A redução prolongada da acidez do estômago pode interferir no aproveitamento de nutrientes, especialmente vitamina B12, e há estudos investigando efeitos sobre o cálcio e a saúde óssea. O risco não é igual para todas as pessoas e depende de fatores como tempo de tratamento, dose, idade, alimentação e outras condições de saúde.
Por que o omeprazol pode interferir na vitamina B12?
O omeprazol pertence aos inibidores da bomba de prótons, medicamentos que diminuem intensamente a produção de ácido no estômago. Essa ação é útil no tratamento de refluxo, úlceras e outras doenças, mas o ácido gástrico também ajuda a liberar a vitamina B12 que está ligada às proteínas dos alimentos, permitindo que ela siga o processo de absorção.
Um grande estudo caso-controle publicado no JAMA e indexado no PubMed avaliou mais de 200 mil pessoas e encontrou associação entre o uso de inibidores da bomba de prótons por dois anos ou mais e maior ocorrência de deficiência de vitamina B12. Por ser um estudo observacional, o resultado mostra uma associação e não significa que o medicamento necessariamente causará deficiência em todo usuário.
E o cálcio, também pode ser afetado?
A relação com o cálcio é mais complexa. A menor acidez do estômago pode reduzir a solubilidade de algumas formas desse mineral e, por isso, surgiu a preocupação de que tratamentos muito prolongados possam influenciar a saúde dos ossos. Entretanto, os resultados dos estudos sobre absorção de cálcio e densidade mineral óssea não são totalmente uniformes.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada no American Journal of Gastroenterology encontrou uma associação modesta entre o uso de inibidores da bomba de prótons e maior risco de fraturas em estudos observacionais. Isso não permite afirmar que o omeprazol seja a causa direta das fraturas, já que idade, osteoporose, doenças prévias e outros medicamentos também podem influenciar esse risco.

Quais sinais podem indicar que a vitamina B12 está baixa?
A deficiência de vitamina B12 pode se desenvolver gradualmente e nem sempre causa sintomas no início. Quando aparecem, alguns sinais merecem ser investigados, principalmente em quem utiliza o medicamento por longos períodos.
- cansaço ou fraqueza sem explicação clara;
- palidez;
- formigamento ou dormência nas mãos e nos pés;
- alterações de equilíbrio ou sensibilidade;
- anemia identificada em exames de sangue.
Esses sintomas têm diversas causas possíveis e não devem ser atribuídos automaticamente ao omeprazol. A avaliação médica e os exames adequados são necessários para identificar se realmente existe deficiência. Para entender melhor o medicamento e seus efeitos, veja também para que serve o omeprazol e quais são seus possíveis efeitos colaterais.
Quem precisa ter atenção maior durante o uso prolongado?
O acompanhamento pode ser especialmente importante em idosos, pessoas com alimentação pouco variada, histórico de deficiência de vitamina B12, osteopenia ou osteoporose, além de quem utiliza doses mais altas ou precisa permanecer com o medicamento por vários anos.
Uma metanálise sobre medicamentos que reduzem a acidez e deficiência de vitamina B12 encontrou associação entre o uso prolongado e maior risco de deficiência. Os autores destacaram a importância de prescrição criteriosa e de acompanhamento da vitamina B12 em pacientes que realmente precisam permanecer em tratamento por longo prazo.

É necessário fazer exames periodicamente?
Não existe uma regra de que toda pessoa que toma omeprazol precise fazer os mesmos exames em intervalos fixos. Vale conversar com o médico sobre a necessidade de acompanhar vitamina B12 e saúde óssea de acordo com o tempo de uso e os fatores de risco individuais. Em determinados casos, podem ser considerados exames de sangue para avaliar B12 e outros nutrientes e, quando houver risco aumentado de osteoporose, avaliação específica da saúde dos ossos.
Também não é indicado começar suplementos de vitamina B12 ou cálcio, mudar a dose ou suspender o omeprazol por conta própria. Em algumas doenças, o tratamento contínuo é necessário e seus benefícios podem superar os possíveis riscos. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.








