Esquecer onde colocou as chaves, demorar para lembrar um nome ou perceber que está mais difícil manter a concentração pode acontecer durante períodos prolongados de estresse. Isso ocorre porque a exposição contínua a situações estressantes pode interferir temporariamente em processos como atenção, memória de trabalho e recuperação de informações. Esses sintomas, porém, não confirmam estresse crônico e também podem aparecer em ansiedade, depressão, alterações do sono, TDAH e outras condições que precisam ser diferenciadas por um profissional.
Por que o estresse pode deixar a memória mais falha?
Quando uma pessoa está sob pressão, o organismo libera substâncias envolvidas na resposta ao estresse, incluindo cortisol e catecolaminas. Essa reação é útil diante de desafios pontuais, mas sua manutenção por períodos prolongados pode afetar funções do cérebro usadas para selecionar informações, manter o foco e recuperar lembranças.
Uma revisão científica sobre estresse crônico e função cognitiva publicada em 2024 descreve alterações principalmente na memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle das respostas. Isso ajuda a explicar por que alguém muito sobrecarregado pode ler uma página sem absorver o conteúdo ou entrar em um cômodo e esquecer o que pretendia fazer.
Quais esquecimentos podem aparecer em períodos de muito estresse?
Os lapsos costumam envolver tarefas do cotidiano e podem ficar mais perceptíveis em fases de excesso de trabalho, conflitos, preocupações constantes ou poucas oportunidades de descanso. Entre os exemplos estão:
- esquecer nomes ou palavras conhecidas momentaneamente;
- guardar objetos e depois não lembrar onde estão;
- perder o fio de uma conversa;
- precisar reler várias vezes a mesma informação;
- esquecer pequenas tarefas ou compromissos;
- ter dificuldade para organizar atividades que antes eram simples.
Uma revisão sistemática realizada por pesquisadores da Universidade de Brasília também encontrou evidências de que situações de estresse podem prejudicar a recuperação de informações armazenadas na memória. Isso não significa que todo esquecimento seja provocado pelo estresse nem que exista necessariamente perda permanente de memória.

Qual é a diferença entre estresse e ansiedade?
Os dois podem produzir dificuldade de concentração, alterações do sono, irritabilidade e sensação de mente sobrecarregada, mas não são exatamente a mesma coisa. O estresse geralmente aparece em resposta a uma demanda identificável, enquanto a ansiedade envolve preocupação, medo ou apreensão que podem permanecer mesmo sem uma ameaça imediata.
Essa distinção nem sempre é simples na prática. Estresse prolongado pode coexistir com transtornos de ansiedade e outros problemas de saúde mental. Veja também as principais diferenças entre estresse e ansiedade. A Associação Brasileira de Psiquiatria destaca em seus programas de formação em Psiquiatria a importância da avaliação do estado mental, da cognição e do diagnóstico diferencial para identificar corretamente esses quadros.
Quando o esquecimento pode ter outra explicação?
Concentração e memória são influenciadas por muitos fatores. Privação de sono, depressão, transtornos de ansiedade, TDAH, consumo de álcool, alguns medicamentos e determinadas condições clínicas também podem provocar queixas semelhantes. Por isso, sintomas isolados não permitem identificar a causa.
Vale prestar atenção principalmente quando há uma mudança clara em relação ao funcionamento habitual. Perder objetos ocasionalmente é diferente de começar a esquecer repetidamente compromissos importantes ou apresentar dificuldade crescente para executar tarefas conhecidas. Outros sinais que merecem avaliação incluem:
- esquecimento que piora progressivamente;
- prejuízo importante no trabalho ou nos estudos;
- dificuldade frequente para realizar atividades habituais;
- mudança significativa de comportamento ou humor;
- confusão ou dificuldade para se orientar;
- sintomas acompanhados de ansiedade ou tristeza persistentes.

Quando procurar ajuda profissional?
Se os lapsos começaram durante um período claramente estressante, observar a relação com sono, sobrecarga e descanso pode ajudar a identificar um padrão. Entretanto, quando os sintomas persistem, se intensificam ou começam a prejudicar a rotina, é recomendável procurar avaliação médica ou psicológica.
Não é possível determinar apenas pelos esquecimentos se a causa é estresse, ansiedade ou outra condição. O profissional pode analisar quando os sintomas começaram, sua intensidade, medicamentos utilizados, qualidade do sono e outras alterações físicas ou emocionais. Essa avaliação evita tanto banalizar um problema persistente quanto interpretar pequenos lapsos cotidianos como sinal de uma doença grave.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico, psicólogo ou outro profissional de saúde qualificado.








