Beber água em quantidade adequada ajuda os rins a eliminar resíduos e manter o equilíbrio de líquidos e minerais no organismo. Porém, mais água não significa necessariamente mais saúde. A necessidade varia conforme peso, temperatura, atividade física, alimentação e condições de saúde, e a ingestão exagerada em pouco tempo pode diluir o sódio do sangue e provocar uma condição potencialmente grave chamada hiponatremia.
Por que beber pouca água pode prejudicar os rins?
Quando falta água, o organismo tenta conservar líquido e a urina fica mais concentrada. A Sociedade Brasileira de Nefrologia explica que a ingestão inadequada de líquidos pode favorecer cálculos renais e infecções urinárias, problemas que podem comprometer a saúde dos rins quando não são adequadamente tratados.
A desidratação mais intensa também reduz o volume de sangue circulante e pode diminuir o fluxo sanguíneo para os rins. O risco aumenta em situações com grandes perdas de líquido, como calor intenso, exercícios prolongados, febre, vômitos e diarreia.
Quanto de água uma pessoa precisa por dia?
Não existe uma quantidade única que sirva para todos. Como referência prática, pode-se estimar aproximadamente 30 a 35 ml de líquidos por quilo de peso corporal ao dia para muitos adultos saudáveis. Assim, uma pessoa com 70 kg teria uma estimativa inicial entre 2,1 e 2,45 litros. Esse cálculo, entretanto, não deve ser entendido como uma prescrição individual.
A necessidade pode aumentar em dias muito quentes, durante exercícios ou quando há maior perda de água pelo suor. As National Academies dos Estados Unidos ressaltam que atividade física e condições ambientais alteram significativamente a necessidade de água. A água presente nos alimentos e em outras bebidas também contribui para a ingestão total diária.
Para entender outras referências de consumo, o Tua Saúde explica como estimar a quantidade de água por dia e quais fatores podem modificar essa necessidade.

O que acontece quando se bebe água demais?
Os rins normalmente conseguem eliminar o excesso de água, mas essa capacidade tem limites. Quando uma grande quantidade é ingerida rapidamente, principalmente se o organismo não consegue eliminá-la na mesma velocidade, o sangue pode ficar excessivamente diluído. Como consequência, a concentração de sódio cai, causando hiponatremia.
De acordo com uma revisão das National Academies sobre água e eletrólitos, a intoxicação por água pode provocar hiponatremia e tornar-se potencialmente fatal. O problema também pode ocorrer durante exercícios prolongados quando a pessoa repõe grandes volumes de água sem considerar as perdas de sódio.
Os sintomas podem variar conforme a intensidade da queda do sódio e incluir:
- náusea e vômitos;
- dor de cabeça;
- fraqueza ou mal-estar;
- confusão mental;
- sonolência excessiva;
- convulsões nos casos graves.
Clima e exercício mudam quanto é necessário beber?
Sim. Uma pessoa que passa o dia em ambiente climatizado e realiza pouca atividade física geralmente perde menos líquido do que alguém que trabalha ao ar livre sob calor intenso ou pratica exercícios prolongados. Nesses casos, além de água, pode haver perdas relevantes de eletrólitos pelo suor.
A sede é uma referência útil para grande parte dos adultos saudáveis, mas não deve ser o único parâmetro em todas as situações. Pessoas idosas, atletas e quem apresenta doenças ou perdas importantes de líquidos podem precisar de orientação mais individualizada. Distribuir a ingestão ao longo do dia costuma ser mais adequado do que tentar cumprir uma meta consumindo grandes volumes de uma só vez.

Quem precisa ter mais cuidado com a quantidade de líquidos?
Pessoas com doença renal, insuficiência cardíaca, algumas doenças do fígado ou alterações importantes do sódio podem precisar de uma quantidade diferente daquela recomendada para adultos saudáveis. Em determinados casos, inclusive, o médico pode orientar restrição de líquidos, especialmente quando existe dificuldade para eliminar o excesso de água.
Por isso, nem beber o mínimo possível nem forçar vários litros diariamente é uma boa estratégia universal. Peso corporal pode servir como ponto de partida, mas clima, nível de atividade, perdas pelo suor, idade, alimentação, medicamentos e estado de saúde precisam ser considerados para ajustar a quantidade.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com doença renal, cardíaca ou hepática, alterações do sódio ou recomendação prévia de restrição de líquidos devem seguir a quantidade indicada pelo profissional de saúde.








