Ter mais de 35 anos não significa, por si só, que uma mulher precise abandonar a pílula anticoncepcional. O ponto decisivo é o conjunto de fatores individuais, especialmente quando o contraceptivo contém estrogênio. Tabagismo, pressão alta, enxaqueca com aura, histórico de trombose e outros fatores cardiovasculares podem mudar a segurança do método e tornar necessária a escolha de outra opção.
Depois dos 35 anos, a pílula combinada é contraindicada?
Não automaticamente. Mulheres saudáveis, não fumantes e sem contraindicações cardiovasculares podem, em alguns casos, continuar usando anticoncepcionais hormonais combinados após os 35 anos. A Febrasgo reforça que a escolha deve considerar idade, histórico de saúde, estilo de vida e necessidades individuais, e não apenas a data de nascimento.
É importante também diferenciar os tipos de pílula. As combinadas contêm estrogênio e progestagênio, enquanto outras têm somente progestagênio. Essa diferença interfere no perfil de segurança. Por isso, conhecer os diferentes métodos contraceptivos disponíveis ajuda a entender por que uma opção adequada para uma mulher pode não ser indicada para outra.
Quais fatores mudam o risco cardiovascular?
O risco precisa ser avaliado como um conjunto. Alguns fatores ganham ainda mais importância a partir dos 35 anos, principalmente quando há uso de anticoncepcionais combinados com estrogênio. Entre os pontos analisados pelo ginecologista estão:
- tabagismo;
- pressão arterial elevada;
- histórico pessoal de trombose, infarto ou AVC;
- enxaqueca com aura;
- obesidade e diabetes, principalmente quando associados a outros fatores;
- trombofilias conhecidas;
- histórico familiar relevante de trombose ou doença cardiovascular precoce.
O histórico familiar, isoladamente, nem sempre impede o uso da pílula, mas pode levar a uma investigação mais cuidadosa quando sugere predisposição a trombose ou quando se soma a outros fatores. A avaliação também deve considerar mudanças na saúde que surgiram depois que o método foi iniciado.

Por que cigarro e pressão alta merecem atenção especial?
O protocolo da Febrasgo sobre anticoncepção hormonal combinada classifica o tabagismo de 15 ou mais cigarros por dia associado à idade acima de 35 anos como contraindicação aos métodos hormonais combinados. A entidade também considera contraindicação a hipertensão importante, com pressão sistólica igual ou superior a 160 mmHg ou diastólica igual ou superior a 100 mmHg, além de situações com múltiplos fatores de risco cardiovascular.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, elaborada com participação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, também recomenda medir a pressão antes da prescrição de anticoncepcional hormonal combinado e acompanhá-la durante o uso. O documento cita evidências de associação entre maior tempo de uso dessas pílulas e maior ocorrência de hipertensão, reforçando a necessidade de controlar os demais fatores cardiovasculares.
O que pode ser usado quando o estrogênio não é uma boa opção?
Uma contraindicação à pílula combinada não significa necessariamente que todos os métodos hormonais estejam proibidos. Dependendo do problema identificado, podem ser avaliadas alternativas sem estrogênio, como pílulas contendo apenas progestagênio, implante contraceptivo e DIU hormonal, além de opções não hormonais, como o DIU de cobre.
A escolha depende do motivo da contraindicação, do risco de gravidez, do padrão menstrual, de outras doenças, dos medicamentos usados e das preferências da mulher. Não é recomendado trocar ou interromper o anticoncepcional por conta própria, pois a transição inadequada entre métodos pode comprometer a proteção contraceptiva.
Quando é importante reavaliar o anticoncepcional?
Mesmo quem utiliza a mesma pílula há anos deve passar por reavaliações, porque o perfil cardiovascular pode mudar. Começar a fumar, desenvolver hipertensão, receber diagnóstico de enxaqueca com aura ou apresentar um episódio de trombose são situações que podem alterar a indicação do método.
Também é importante procurar atendimento diante de sintomas como falta de ar súbita, dor no peito ou dor e inchaço importantes em apenas uma perna. Esses sinais têm diversas possíveis causas, mas precisam de avaliação rápida. Acima dos 35 anos, a decisão sobre o anticoncepcional deve ser individualizada, equilibrando eficácia, segurança e características de cada mulher.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um ginecologista ou outro médico. Não inicie, troque ou interrompa anticoncepcionais sem orientação profissional.








