A jabuticaba chama atenção pela polpa clara e adocicada, mas é justamente na casca roxa e escura que se concentra boa parte de seus compostos bioativos. Entre eles estão antocianinas, elagitaninos e outros polifenóis estudados por sua ação antioxidante e por possíveis efeitos sobre fatores relacionados à saúde cardiometabólica. Isso não significa que a fruta previna doenças do coração sozinha, mas consumir a casca pode ser uma maneira simples de aproveitar melhor seus nutrientes.
O que existe de especial na casca da jabuticaba?
A cor intensa da casca está relacionada principalmente às antocianinas, pigmentos naturais pertencentes ao grupo dos polifenóis. Além delas, a jabuticaba contém compostos derivados do ácido elágico e outros fenólicos que vêm sendo estudados por sua participação em mecanismos ligados ao estresse oxidativo, inflamação e metabolismo da glicose e dos lipídios.
Pesquisas desenvolvidas na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp têm investigado justamente essa parte da fruta. Um ensaio clínico randomizado realizado por pesquisadores ligados à Unicamp, publicado em 2024 na revista Nutrition Research, avaliou adultos com obesidade e síndrome metabólica, condição que reúne fatores associados a maior risco cardiovascular.
O que os estudos da Unicamp observaram?
No estudo, 49 participantes receberam diariamente pó de casca de jabuticaba ou placebo durante cinco semanas. O grupo que consumiu a casca apresentou melhora em alguns parâmetros de glicose após as refeições e em marcadores relacionados à inflamação.
Esses achados são relevantes porque alterações na glicemia, inflamação persistente, pressão alta e alterações nas gorduras do sangue podem fazer parte do cenário cardiometabólico. Entretanto, o estudo não demonstrou que a jabuticaba previne infarto ou outras doenças cardiovasculares. Ele avaliou marcadores intermediários em um grupo específico, e não eventos cardíacos ao longo dos anos.

Por que a casca costuma acabar no lixo?
Apesar de concentrar compostos interessantes, a casca apresenta um sabor mais adstringente do que a polpa. É aquela sensação de boca seca ou “amarrada” que algumas pessoas percebem ao mastigá-la. Por esse motivo, muita gente aperta a fruta, consome somente a parte branca e descarta a camada externa.
Isso acaba eliminando justamente uma parte importante da fruta. A casca também contribui com fibras e pode ser consumida junto com a polpa. Para quem não gosta muito da textura ou do sabor, não é necessário exagerar: é possível começar mastigando algumas jabuticabas inteiras e observar a própria tolerância.
Como consumir a jabuticaba sem desperdiçar a casca?
Para aproveitar a fruta de forma simples, a melhor estratégia é consumi-la fresca e bem higienizada. Algumas possibilidades incluem:
- mastigar a jabuticaba inteira, incluindo a casca;
- usar a fruta com casca em preparações caseiras;
- alternar a jabuticaba com outras frutas ricas em fibras e compostos antioxidantes;
- evitar transformar doces, geleias e sucos muito açucarados na principal forma de consumo.
No Tua Saúde, é possível conhecer outros benefícios da jabuticaba e formas de incluí-la na alimentação. Vale lembrar que os estudos com pó ou extrato da casca utilizam preparações e quantidades específicas, que não correspondem diretamente a um número determinado de frutas frescas.

A jabuticaba pode proteger o coração?
A jabuticaba pode fazer parte de uma alimentação favorável à saúde cardiovascular, principalmente por oferecer fibras e diferentes compostos fenólicos. No entanto, nenhum alimento isolado substitui os fatores já conhecidos para proteção do coração, como alimentação equilibrada, atividade física, controle da pressão arterial, colesterol e glicemia e acompanhamento adequado das doenças existentes.
Por isso, não é necessário consumir grandes quantidades da fruta ou buscar suplementos de casca esperando um efeito cardiovascular específico. Aproveitar a jabuticaba inteira, quando bem tolerada, já evita o desperdício de uma parte nutricionalmente interessante. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individual de um nutricionista.








