Corticoides como prednisona, prednisolona e dexametasona podem aumentar a glicose no sangue e dificultar temporariamente o controle do diabetes. O efeito varia conforme o tipo de medicamento, a dose, o horário e a duração do tratamento. Por isso, durante o uso, pode ser necessário acompanhar a glicemia com maior frequência, mesmo quando os valores estavam estáveis antes.
Por que o corticoide pode aumentar a glicose?
Os corticoides imitam parte da ação do cortisol, hormônio que ajuda o organismo a disponibilizar energia em situações de necessidade. Entre seus efeitos está estimular o fígado a liberar mais glicose na circulação. Ao mesmo tempo, esses medicamentos podem reduzir a sensibilidade das células à insulina, fazendo com que a glicose tenha mais dificuldade para sair do sangue e entrar nos tecidos.
Em quem já possui diabetes, essa combinação pode resultar em valores mais altos do que o habitual e, em alguns casos, aumentar temporariamente a necessidade de medicamentos para controle da doença. A própria ação e os efeitos colaterais dos corticoides dependem da dose, do tempo de uso e do medicamento escolhido.
A glicemia pode ficar normal de manhã e subir depois?
Sim. Esse é um detalhe importante porque olhar somente a glicemia em jejum pode não mostrar toda a alteração provocada pelo tratamento. Quando um glicocorticoide de ação intermediária, como a prednisona, é administrado pela manhã, a elevação da glicose costuma ser mais evidente durante a tarde e o início da noite.
A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre hiperglicemia associada a glicocorticoides descreve esse padrão e recomenda, no ambiente hospitalar, monitorar a glicemia pelo menos ao acordar e antes do jantar em pacientes que recebem esses medicamentos. O horário e a frequência ideais fora do hospital devem ser individualizados pelo médico.

Quem precisa ter mais atenção durante o tratamento?
A resposta ao corticoide não é igual para todas as pessoas. Alguns fatores aumentam a possibilidade de ocorrer hiperglicemia e podem justificar um acompanhamento mais próximo. Entre eles estão:
- diabetes já diagnosticado;
- pré-diabetes ou alterações anteriores da glicose;
- uso de doses mais altas de corticoide;
- tratamentos prolongados;
- idade mais avançada;
- sobrepeso ou obesidade;
- histórico anterior de aumento da glicose durante uso de corticoides.
A Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda rastrear diabetes antes e depois do início de medicamentos com potencial hiperglicemiante, como os glicocorticoides, especialmente quando existem fatores de risco.
Como acompanhar a glicose enquanto usa corticoide?
Quem já mede a glicemia em casa pode precisar aumentar temporariamente a frequência das verificações. Dependendo do tratamento, o médico pode solicitar medidas em jejum, antes das refeições, depois delas ou no final da tarde. Registrar o horário da medição, o valor obtido e o horário em que o corticoide foi tomado ajuda a identificar o padrão das alterações.
Também é importante utilizar corretamente o glicosímetro para acompanhar a glicose. Alterações persistentes ou muito diferentes dos valores habituais devem ser comunicadas ao profissional que acompanha o diabetes, principalmente se ocorrerem sintomas como sede intensa, aumento da quantidade de urina, fraqueza ou visão embaçada.

É preciso mudar os remédios para diabetes?
Em algumas pessoas, o médico pode precisar ajustar temporariamente o tratamento do diabetes enquanto o corticoide estiver sendo utilizado. Essa decisão depende dos valores registrados, da dose e do tipo de corticoide, da alimentação e dos medicamentos que a pessoa já utiliza. Não se deve aumentar insulina, alterar antidiabéticos ou suspender o corticoide por conta própria.
Quando a dose do corticoide é reduzida ou o tratamento termina, a glicemia também pode cair. Por isso, ajustes realizados durante o período de hiperglicemia precisam ser novamente avaliados para evitar níveis de glicose excessivamente baixos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Pessoas com diabetes que precisam iniciar corticoides devem conversar com o médico sobre a frequência adequada de monitoramento e sobre possíveis ajustes no tratamento.








