A exposição ao sol é uma das principais formas de o organismo produzir vitamina D, mas esse processo não termina na pele. A vitamina D recém-produzida ainda precisa passar por transformações no fígado e, depois, principalmente nos rins para chegar à sua forma hormonal ativa. O mesmo vale para a vitamina obtida pela alimentação ou por suplementos: antes de exercer plenamente suas funções, ela precisa ser metabolizada pelo organismo.
O que acontece com a vitamina D depois que a pele recebe sol?
A radiação ultravioleta B, ou UVB, desencadeia na pele a formação de vitamina D3, também chamada de colecalciferol. Essa molécula ainda não está pronta para desempenhar todas as funções associadas à vitamina D no organismo. Primeiro, ela entra na circulação e segue para outras etapas de transformação.
Uma revisão sobre produção e metabolismo da vitamina D descreve que a vitamina D formada na pele é posteriormente convertida em sua principal forma circulante no fígado e em sua forma hormonal ativa principalmente nos rins. Portanto, o sol inicia o processo, enquanto outros órgãos ajudam a completar o caminho.
Qual é o papel do fígado nessa transformação?
No fígado, a vitamina D passa por uma primeira modificação química chamada hidroxilação. Ela é convertida principalmente em 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D, também conhecida como calcidiol. Essa é a forma que circula em maior quantidade no sangue e que normalmente é medida nos exames para avaliar o estado da vitamina D no organismo.
Isso não significa que o fígado produza vitamina D no lugar do sol. Ele atua depois, processando a vitamina que chegou da pele, dos alimentos ou dos suplementos. Para entender melhor as diferentes fontes do nutriente, veja também como a vitamina D é obtida e para que serve.

E por que os rins são tão importantes?
Depois da passagem pelo fígado, a 25-hidroxivitamina D pode seguir para os rins. Ali ocorre outra transformação importante: ela é convertida em 1,25-di-hidroxivitamina D, conhecida como calcitriol, que é a principal forma hormonal ativa da vitamina.
Essa etapa renal é cuidadosamente regulada pelo organismo e sofre influência de fatores como cálcio, fósforo, paratormônio e FGF23. Depois de ativado, o calcitriol participa principalmente do controle do metabolismo do cálcio e do fósforo, fundamentais para a manutenção dos ossos e de outras funções do organismo.
Então problemas no fígado ou nos rins podem interferir na vitamina D?
Podem, especialmente quando existe comprometimento importante da função desses órgãos. Como fígado e rins participam de etapas diferentes do metabolismo da vitamina D, doenças avançadas podem alterar sua conversão e modificar a forma como o organismo lida com o nutriente.
O processo pode ser resumido desta maneira:
- a pele produz vitamina D3 após exposição adequada à radiação UVB;
- alimentos e suplementos também podem fornecer vitamina D;
- o fígado converte a vitamina D principalmente em 25-hidroxivitamina D;
- os rins convertem essa molécula principalmente em calcitriol, sua forma hormonal ativa.
Isso também ajuda a explicar por que a avaliação da vitamina D em pessoas com doenças hepáticas ou renais pode exigir interpretação individualizada, em vez de considerar apenas exposição solar.

O sol continua sendo importante mesmo com fígado e rins envolvidos?
Sim. A participação do fígado e dos rins não diminui a importância da exposição solar na produção de vitamina D. Eles não substituem essa etapa, mas transformam a vitamina disponível em formas que o organismo consegue transportar e utilizar. Alimentos também contribuem, embora existam relativamente poucas fontes naturais com quantidades relevantes de vitamina D.
Por isso, ter níveis adequados depende de vários fatores, incluindo exposição solar, alimentação, absorção intestinal e metabolismo. Quando houver suspeita de deficiência ou doença renal ou hepática, a necessidade de exames e suplementação deve ser avaliada individualmente. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.








