A hidroclorotiazida é um dos remédios mais prescritos no Brasil para o tratamento da pressão alta, atuando como diurético para reduzir o volume de líquidos no corpo. No entanto, seu uso contínuo pode causar queda dos níveis de potássio e aumento do ácido úrico, o que exige atenção especial em pessoas com histórico de gota ou arritmia cardíaca. Conhecer esses efeitos ajuda a evitar complicações silenciosas durante o tratamento.
Como a hidroclorotiazida atua no organismo?
A hidroclorotiazida é um diurético tiazídico que age diretamente nos rins, aumentando a eliminação de sódio, cloro e água pela urina. Essa ação reduz o volume de sangue circulante e ajuda a controlar a pressão alta de forma progressiva.
O medicamento é considerado de primeira linha no tratamento da hipertensão pela Sociedade Brasileira de Hipertensão, sendo prescrito isoladamente ou em combinação com outros anti-hipertensivos como losartana ou valsartana. Doses habituais variam entre 12,5 e 25 mg por dia.
Por que o potássio pode cair durante o tratamento?
Ao aumentar a eliminação de água e sódio, a hidroclorotiazida também favorece a perda de potássio pela urina, uma condição chamada hipocalemia. Esse desequilíbrio eletrolítico pode passar despercebido, mas provoca sintomas como fraqueza muscular, cãibras e cansaço excessivo.
Em casos mais graves, a queda acentuada do potássio pode desencadear arritmias cardíacas, palpitações e até episódios de desmaio. Por isso, pessoas com histórico de problemas cardíacos precisam de monitoramento rigoroso durante o uso contínuo do diurético.

Como o ácido úrico aumenta com o uso do diurético?
A hidroclorotiazida reduz a excreção de ácido úrico pelos rins, favorecendo o acúmulo dessa substância no sangue. Esse fenômeno é chamado de hiperuricemia e pode desencadear crises agudas em quem já convive com o quadro.
Para quem já apresenta sintomas de gota, o uso do diurético pode precipitar novos episódios de dor intensa nas articulações, principalmente no dedão do pé. Nessas situações, o médico geralmente reavalia a medicação ou associa remédios específicos para controlar o ácido úrico.
O que diz o estudo científico sobre esse risco?
A relação entre o uso de diuréticos tiazídicos e o aumento do risco de gota está bem estabelecida na literatura médica. Trata-se de um estudo prospectivo de longa duração que acompanhou mais de 47 mil homens ao longo de 12 anos para avaliar os principais fatores desencadeantes da doença.
Segundo o estudo Obesity, weight change, hypertension, diuretic use, and risk of gout in men, publicado na revista Archives of Internal Medicine pelo PubMed, o uso de diuréticos foi associado a um risco 77% maior de desenvolver gota, enquanto a hipertensão isoladamente aumentou esse risco em mais de duas vezes em relação a pessoas sem essas condições.
Quem precisa de atenção redobrada?
Alguns grupos de pacientes precisam de acompanhamento mais próximo durante o uso da hidroclorotiazida, pois têm maior chance de desenvolver efeitos adversos importantes. Confira quem deve conversar com o cardiologista antes de iniciar ou manter o tratamento:
- Pessoas com histórico de gota ou episódios de ácido úrico alto, que podem sofrer novas crises articulares durante o uso do medicamento;
- Pacientes com arritmia cardíaca ou insuficiência cardíaca, especialmente sensíveis à queda de potássio;
- Diabéticos, já que o diurético pode influenciar a tolerância à glicose e exigir ajuste dos remédios para o diabetes;
- Idosos, mais suscetíveis à desidratação, à queda de pressão e à insuficiência renal;
- Pessoas com doença renal crônica, que precisam de monitoramento regular dos eletrólitos no sangue;
- Quem faz uso de outros medicamentos que também alteram o potássio, como corticoides e alguns antiarrítmicos.

Quais cuidados adotar durante o tratamento?
Algumas atitudes simples reduzem significativamente o risco de efeitos adversos e mantêm o tratamento seguro no longo prazo. Veja as recomendações mais importantes:
- Realizar exames periódicos de potássio, sódio, ácido úrico, glicose e função renal, conforme orientação do cardiologista;
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em alimentos fontes de potássio como banana, água de coco, feijão e vegetais verdes escuros;
- Beber água regularmente para prevenir desidratação, mas sem exageros que possam agravar a perda de eletrólitos;
- Ficar atento a sintomas como cãibras, palpitações, fraqueza muscular, dor intensa nas articulações ou tontura, e comunicar imediatamente ao médico;
- Nunca interromper o medicamento por conta própria, pois a suspensão abrupta pode causar picos de pressão arterial.
Se você usa hidroclorotiazida ou está iniciando o tratamento para hipertensão, procure um cardiologista para uma avaliação individualizada e monitoramento seguro dos efeitos ao longo do tempo.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.








