Fazer exercício regularmente é uma das estratégias usadas no controle da hipertensão, mas um ensaio brasileiro indica que olhar também para a alimentação pode trazer benefícios adicionais. Em adultos de 50 a 80 anos com pressão alta, quem combinou exercícios com orientação alimentar apresentou glicose de jejum menor após 12 semanas do que quem fez apenas os exercícios. O estudo, porém, foi pequeno e não significa que a mesma redução ocorrerá em todas as pessoas.
O que o estudo brasileiro encontrou?
O ensaio clínico randomizado, publicado em 2026 no Journal of Human Hypertension, acompanhou 32 adultos com hipertensão. Os participantes foram divididos entre um programa de exercícios e o mesmo programa acompanhado de orientação nutricional. Ao final, 29 pessoas completaram a intervenção.
Segundo o ensaio clínico sobre exercício e aconselhamento nutricional em adultos com hipertensão, a glicose de jejum ficou, em média, 10 mg/dL menor no grupo que recebeu as duas intervenções em comparação ao grupo que realizou apenas exercícios.
Que exercícios os participantes fizeram?
O programa durou 12 semanas e foi realizado duas vezes por semana, com sessões de aproximadamente 60 minutos. O treinamento combinava caminhada ou corrida com exercícios de calistenia, que utilizam principalmente o peso do próprio corpo.
A atividade física já faz parte das medidas não medicamentosas utilizadas no controle da hipertensão. O exercício regular também aparece entre as estratégias para ajudar a controlar a pressão arterial, sempre como complemento ao acompanhamento e ao tratamento indicado pelo médico.

O que mudou quando entrou a orientação alimentar?
O segundo grupo fez exatamente o mesmo programa de exercícios, mas participou também de seis encontros de orientação nutricional realizados a cada duas semanas. As recomendações foram baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira e enfatizaram qualidade da alimentação e redução do consumo de ultraprocessados, sem prescrição de restrição de calorias.
Isso é importante porque o estudo não testou simplesmente uma “dieta para baixar a glicose”. Ele avaliou se acrescentar aconselhamento alimentar a um programa comunitário de exercícios poderia modificar fatores de risco cardiovascular em pessoas que já tinham hipertensão.
A combinação também reduziu mais a pressão?
A pressão sistólica caiu cerca de 10 mmHg dentro do grupo que recebeu exercício e orientação alimentar. Entretanto, quando os pesquisadores compararam diretamente os dois grupos, não encontraram diferença estatisticamente significativa na pressão sistólica. Também não houve diferenças entre os grupos na pressão diastólica, composição corporal ou aptidão cardiorrespiratória.
Por isso, o resultado mais claro entre os grupos foi observado na glicose de jejum. O achado reforça que diferentes hábitos podem atuar em conjunto, mas não permite concluir que acrescentar orientação alimentar produzirá determinada queda na pressão ou na glicemia em qualquer pessoa.

O que esse resultado muda para quem tem pressão alta?
O estudo chama atenção para uma ideia prática: fazer exercício não torna a alimentação menos importante. Hipertensão e alterações da glicose frequentemente fazem parte de um conjunto de fatores cardiovasculares que precisam ser avaliados de forma integrada.
Ao mesmo tempo, o ensaio envolveu somente 32 participantes e durou 12 semanas. Portanto, seus resultados precisam ser interpretados dentro dessas limitações. Não é indicado alterar medicamentos, iniciar dietas restritivas ou tentar reproduzir metas específicas de glicose apenas com base nesse estudo. A alimentação e o exercício devem ser ajustados às condições de saúde, aos exames e ao tratamento de cada pessoa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Pessoas com hipertensão, diabetes ou alterações da glicose devem receber orientação individualizada antes de modificar tratamento, alimentação ou rotina de exercícios.








