A tosse e o aperto no peito durante períodos de queimadas podem ser sinais de que a fumaça está irritando as vias respiratórias. Mesmo longe das chamas, partículas microscópicas transportadas pelo vento podem alcançar os pulmões e provocar desconforto, falta de ar e crises respiratórias. Entender os riscos da tosse por fumaça e adotar medidas de proteção ajuda a reduzir a exposição e identificar situações que exigem atendimento médico.
Por que a fumaça das queimadas provoca tosse e aperto no peito?
A fumaça contém gases irritantes e partículas finas, conhecidas como PM2,5, que conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões. Essas substâncias podem provocar inflamação e irritação das vias respiratórias, desencadeando tosse seca, chiado e sensação de aperto no peito.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a exposição à fumaça pode afetar até pessoas saudáveis. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou doenças cardíacas precisam de atenção especial.

Quais sintomas indicam que a fumaça está afetando a respiração?
Os sintomas podem aparecer durante a exposição ou após algumas horas. Além da tosse por fumaça, é importante observar outras manifestações:
- Tosse seca ou persistente;
- Ardência nos olhos, nariz e garganta;
- Chiado no peito e dificuldade para respirar;
- Sensação de pressão ou aperto no peito;
- Dor de cabeça e cansaço incomum.
O aparecimento desses sintomas não confirma que a fumaça seja a única causa. Aperto no peito e falta de ar também podem indicar problemas cardíacos ou respiratórios que precisam de avaliação médica.
O que uma revisão científica revela sobre a fumaça das queimadas?
A revisão sistemática Associations between short-term exposure to wildfire particulate matter and respiratory outcomes: A systematic review, publicada em 2024 na revista Science of the Total Environment, analisou 35 estudos sobre a exposição de curto prazo às partículas de queimadas e seus efeitos respiratórios. A maioria dos estudos identificou associação entre essa exposição e o aumento de problemas respiratórios, incluindo atendimentos de emergência e hospitalizações.
Os pesquisadores também observaram efeitos prejudiciais em pessoas com asma e DPOC. Os resultados reforçam a importância de reduzir a exposição à fumaça, especialmente entre indivíduos com doenças respiratórias preexistentes.
Como se proteger da fumaça dentro e fora de casa?
Reduzir o contato com o ar poluído é a principal medida de proteção. Durante períodos de queimadas, algumas atitudes ajudam a diminuir a quantidade de partículas inaladas:
- Manter portas e janelas fechadas quando houver fumaça no ambiente externo;
- Evitar exercícios e atividades físicas ao ar livre;
- Utilizar purificadores de ar com filtro HEPA, quando disponíveis;
- Usar máscara PFF2 ou N95 bem ajustada ao rosto quando for necessário sair;
- Evitar cigarros, incensos, velas e outras fontes de fumaça dentro de casa;
- Acompanhar os alertas locais sobre a qualidade do ar.
As máscaras PFF2 e N95 ajudam a filtrar partículas, mas não protegem contra todos os gases presentes na fumaça. Quem apresentar sintomas após a exposição pode consultar as orientações sobre o que fazer após inalar fumaça.

Quando a tosse e o aperto no peito exigem atendimento médico?
É importante procurar avaliação médica quando a tosse persiste, surge chiado ou a respiração piora, principalmente em pessoas com asma, DPOC ou doenças cardíacas. Quem utiliza medicamentos inalatórios deve seguir o plano de tratamento prescrito, sem modificar as doses por conta própria.
Falta de ar intensa, dor ou aperto forte ou persistente no peito, confusão mental ou perda de consciência exigem atendimento de emergência. Nessas situações, deve-se acionar o SAMU pelo número 192. Não é seguro atribuir automaticamente esses sintomas à fumaça das queimadas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








