Sim. Quem utiliza medicamentos diuréticos precisa de atenção especial durante os dias quentes, pois esses remédios aumentam a eliminação de água pela urina, enquanto o calor favorece a perda de líquidos pelo suor. A combinação pode aumentar o risco de desidratação, queda da pressão arterial e alterações nos sais minerais do organismo. Entretanto, o uso de diurético no calor não significa que o tratamento deva ser interrompido, mas que alguns cuidados precisam ser reforçados.
Por que o diurético no calor exige mais atenção?
Os diuréticos, como furosemida e hidroclorotiazida, são utilizados no tratamento de condições como pressão alta, insuficiência cardíaca e retenção de líquidos. Eles atuam nos rins, aumentando a eliminação de água e sódio pela urina.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), esses medicamentos podem favorecer a desidratação, a redução da pressão arterial e o desequilíbrio de eletrólitos durante períodos de calor intenso, aumentando o risco de tontura e quedas.

Quais sintomas podem indicar desidratação?
Quando a perda de líquidos pelo suor e pela urina supera a reposição, o organismo pode apresentar sinais de desidratação. Quem utiliza diuréticos deve observar especialmente:
- Tontura ao levantar ou sensação de desmaio;
- Sede intensa e boca seca;
- Fraqueza, cansaço e dor de cabeça;
- Cãibras ou fraqueza muscular;
- Urina muito escura ou diminuição importante da quantidade de urina.
Esses sintomas também podem ter outras causas. Quando surgem durante o tratamento com diuréticos, principalmente em dias muito quentes, é importante procurar orientação médica.
O que um estudo científico revela sobre o calor e os rins?
O estudo Both hyperthermia and dehydration during physical work in the heat contribute to the risk of acute kidney injury, publicado em 2020 no Journal of Applied Physiology, investigou os efeitos do calor e da desidratação sobre os rins. Em um experimento com 13 adultos saudáveis, os pesquisadores observaram alterações em marcadores urinários de lesão renal associadas à elevação da temperatura corporal e à perda de líquidos.
Embora não tenha avaliado especificamente pessoas que utilizam diuréticos, o estudo ajuda a compreender por que evitar a desidratação é importante para proteger os rins durante a exposição ao calor.
Quais cuidados ajudam a reduzir os riscos?
Quem utiliza medicamentos diuréticos pode adotar medidas simples para diminuir os efeitos do calor. Entre os principais cuidados estão:
- Evitar exposição prolongada ao sol e procurar ambientes frescos;
- Manter a hidratação conforme a orientação médica;
- Observar sintomas como tontura, fraqueza e sede intensa;
- Evitar exercícios físicos nos horários mais quentes;
- Conversar com o médico sobre os cuidados necessários durante ondas de calor.
Pessoas com insuficiência cardíaca ou doença renal não devem aumentar a ingestão de água por conta própria, pois algumas precisam controlar rigorosamente a quantidade de líquidos consumida.

É necessário suspender o diurético nos dias quentes?
Não se deve suspender, reduzir ou modificar a dose do diurético sem orientação médica. A interrupção inadequada pode provocar retenção de líquidos, piora da pressão arterial ou agravamento da doença que motivou o tratamento. O médico poderá avaliar a necessidade de ajustes individualizados e de exames para verificar a função renal e os níveis de sódio e potássio.
Se houver tontura intensa, vômitos persistentes ou redução importante da urina, procure atendimento médico. Desmaio, confusão mental ou perda de consciência exigem atendimento de emergência, especialmente após exposição ao calor.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








