O desejo por lábios volumosos, inspirados em influenciadoras digitais, tem levado muitas pessoas a procurar preenchimentos rápidos, baratos e feitos fora de consultórios médicos. O problema é que, quando o procedimento é realizado sem avaliação adequada ou por profissionais não habilitados, os riscos vão muito além do resultado estético insatisfatório e podem incluir necrose, migração do produto e complicações graves. Entender o que pode dar errado é essencial antes de qualquer decisão.
O que é o preenchimento labial e por que ele virou tendência?
O preenchimento labial é um procedimento estético que utiliza substâncias injetáveis, principalmente o ácido hialurônico, para aumentar o volume, definir o contorno e corrigir assimetrias dos lábios. Quando bem indicado, oferece resultados naturais e temporários, com duração média de 6 a 12 meses.
A popularização nas redes sociais transformou o procedimento em desejo estético entre jovens e adultos, mas também abriu espaço para aplicações feitas por profissionais sem formação médica e com produtos de origem duvidosa, aumentando de forma significativa os riscos à saúde.
Quem pode realizar o preenchimento labial no Brasil?
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o preenchimento labial é um ato médico e só pode ser realizado por profissionais devidamente habilitados, como dermatologistas e cirurgiões plásticos. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também reforça que o procedimento exige conhecimento profundo da anatomia facial e vascular.
Cirurgiões-dentistas e biomédicos podem atuar em situações específicas previstas em resoluções de seus respectivos conselhos, mas sempre dentro dos limites legais. Aplicações feitas por esteticistas, técnicos ou pessoas sem registro profissional são consideradas irregulares e colocam a saúde em risco.

Quais os principais riscos do preenchimento sem avaliação adequada?
Sem avaliação clínica prévia, o procedimento pode desencadear complicações leves, moderadas ou graves. A seguir, os principais riscos associados a aplicações inadequadas:
- Necrose tecidual: ocorre quando o produto obstrui um vaso sanguíneo, interrompe a circulação e causa morte do tecido labial;
- Migração do produto: o material se desloca da área aplicada, gerando deformidades e o efeito conhecido como bigode chinês;
- Nódulos e granulomas: caroços firmes ou inflamatórios que podem persistir por meses e exigem tratamento;
- Infecções e abscessos: resultado de falhas na assepsia ou uso de materiais contaminados;
- Reações alérgicas graves: relacionadas ao produto injetado ou aos anestésicos utilizados;
- Uso de substâncias não aprovadas pela Anvisa: como PMMA industrial, silicone líquido e produtos importados sem registro, que podem causar danos permanentes.
O que diz o estudo científico sobre as complicações do procedimento?
Uma revisão científica avaliou os principais eventos adversos associados ao preenchimento labial com ácido hialurônico e apontou que muitos casos estão diretamente ligados à técnica inadequada e à falta de conhecimento anatômico. Segundo a revisão Complicações e lesões orais associadas ao preenchimento labial com ácido hialurônico, publicada na Revista da Faculdade de Odontologia de Porto Alegre, as reações mais comuns incluem edema, hematoma, necrose, nódulos e reações de hipersensibilidade, além de complicações tardias como granulomas e migração do material.
O estudo reforça que a prevenção depende de avaliação criteriosa, escolha correta do produto e domínio da harmonização facial por profissional habilitado, o que reduz drasticamente o risco de intercorrências.

Como reduzir os riscos antes de decidir pelo procedimento?
Antes de agendar um preenchimento labial, é fundamental verificar o registro do profissional no conselho de classe e confirmar se o produto utilizado possui registro válido na Anvisa. Também é importante realizar avaliação clínica detalhada, informar histórico de alergias e evitar promoções ou aplicações em locais sem estrutura adequada.
Diante de sinais como dor intensa, palidez, manchas escuras, inchaço persistente ou deformidades após o procedimento, é imprescindível procurar atendimento médico com urgência. A avaliação por um dermatologista ou cirurgião plástico continua sendo o caminho mais seguro para quem deseja realizar o procedimento com resultados naturais e sem colocar a saúde em risco.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









