Um homem de 21 anos procurou atendimento no Reino Unido após cerca de quatro meses de sintomas progressivos. Ele apresentava insuficiência cardíaca, perda de peso, mal-estar, dificuldade para respirar durante esforços e falta de ar ao deitar. Segundo a descrição clínica publicada em 2021, o jovem consumia aproximadamente quatro latas de 500 mL de energético por dia havia cerca de dois anos. A investigação identificou comprometimento grave do coração e dos rins.
A falta de ar ao deitar demorou a revelar sua origem
Os sintomas começaram meses antes da procura por atendimento. A dificuldade respiratória avançou durante os esforços e também apareceu na posição deitada, manifestação chamada ortopneia. O jovem ainda informou perda de peso e mal-estar geral. Antes disso, tremores e palpitações já surgiam quando consumia até quatro latas de bebida energética por dia, a ponto de atrapalharem os estudos.
A falta de ar ao deitar pode ocorrer quando um coração com baixa capacidade de bombeamento não consegue lidar adequadamente com o retorno do sangue ao tórax. Isso favorece o acúmulo de líquido nos pulmões. O sintoma não é exclusivo de insuficiência cardíaca, pois doenças pulmonares e outras condições também podem provocá-lo. Persistência e progressão dos sintomas exigem investigação clínica.
A cardiomiopatia apareceu na investigação
Os médicos identificaram cardiomiopatia dilatada não isquêmica. Nessa condição, as câmaras cardíacas aumentam e o músculo perde força, sem que a causa principal seja uma obstrução das artérias coronárias. O comprometimento era biventricular, ou seja, atingia os dois ventrículos. O quadro resultou em insuficiência cardíaca grave.
O jovem negou consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas. O histórico de exposição contínua a energéticos ganhou relevância diante da ausência de uma causa evidente para a cardiomiopatia. Ainda assim, uma associação temporal não comprova que a bebida tenha sido a única responsável. Infecções, alterações genéticas, distúrbios hormonais, substâncias tóxicas e outras causas precisam ser consideradas na avaliação.

Como bebida energética e excesso de cafeína afetam o corpo?
A cafeína estimula o sistema nervoso simpático, responsável por respostas como aceleração dos batimentos e aumento da pressão arterial. Em quantidade elevada ou exposição repetida, esse estímulo pode aumentar o trabalho cardíaco, favorecer palpitações e interferir na atividade elétrica do coração. Algumas bebidas energéticas combinam cafeína com outros estimulantes, o que dificulta atribuir o efeito a um único ingrediente.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 37 estudos e encontrou alterações cardíacas após consumir energéticos, incluindo elevação da frequência cardíaca, aumento da pressão e prolongamento do QTc. O QTc representa o tempo de recuperação elétrica dos ventrículos, corrigido pela frequência dos batimentos. Esse achado ajuda a explicar a plausibilidade de eventos cardiovasculares, mas não confirma que o excesso de cafeína tenha causado isoladamente a doença desse jovem.
Quais sinais de alerta podem ser reconhecidos?
Palpitação ocasional pode ter diferentes origens, mas a combinação com dificuldade respiratória, dor no peito ou desmaio merece avaliação. Também importa observar se a falta de ar aparece em atividades antes toleradas, se piora ao deitar ou se interrompe o sono. Entre os sinais associados à descompensação cardíaca estão:
- falta de ar persistente durante esforço, repouso ou ao deitar;
- palpitações com tontura, desmaio, fraqueza intensa ou dor torácica;
- inchaço nas pernas, nos tornozelos ou no abdômen;
- ganho rápido de peso relacionado à retenção de líquido;
- cansaço desproporcional e redução progressiva da capacidade para atividades habituais;
- tosse noturna ou necessidade crescente de travesseiros para conseguir dormir.
Como tratar a insuficiência cardíaca e proteger o prognóstico?
O tratamento depende da causa, da força de contração do coração, dos sintomas e do funcionamento renal. A avaliação pode incluir histórico detalhado de estimulantes, exame físico, eletrocardiograma, exames de sangue e ecocardiograma, teste que mostra a estrutura e o bombeamento cardíaco. Uma explicação complementar sobre sintomas e tratamento da insuficiência cardíaca ajuda a contextualizar as etapas do acompanhamento.
- controle da congestão, nome dado ao acúmulo de líquido, conforme avaliação profissional;
- medicamentos escolhidos de acordo com pressão, função cardíaca e função dos rins;
- investigação e tratamento da causa da cardiomiopatia;
- revisão do consumo de cafeína, suplementos e outras substâncias estimulantes;
- monitoramento de sintomas, peso, pressão arterial e exames solicitados;
- acompanhamento com cardiologista e, quando necessário, nefrologista.
A insuficiência renal registrada no jovem limitou o uso pleno da terapia padrão. Isso acontece porque alguns medicamentos exigem cuidado quando os rins não filtram adequadamente o sangue. O prognóstico muda conforme a causa, a resposta do músculo cardíaco e a possibilidade de utilizar o tratamento indicado. Interromper ou reduzir uma exposição suspeita deve integrar um plano individual, e não substituir o acompanhamento.
O desfecho conhecido e a hora de procurar avaliação
A publicação registrou insuficiência cardíaca biventricular grave, cardiomiopatia e comprometimento renal. O uso regular de cerca de dois litros de energético por dia foi considerado uma possível causa, após aproximadamente dois anos de consumo. Os dados disponíveis não permitem afirmar que esse fator agiu sozinho, nem apresentam um resultado definitivo de longo prazo.
Falta de ar ao deitar, piora rápida da respiração, desmaio, dor no peito, confusão ou coloração azulada dos lábios justificam atendimento imediato. Tremores ou palpitações recorrentes após bebida energética também devem ser informados durante a consulta, com quantidade e frequência de consumo. Esse histórico pode orientar a investigação de arritmia, sobrecarga cardíaca e excesso de cafeína antes que a capacidade de bombeamento piore.
Este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se houver sintomas ou dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica. A evolução de uma pessoa não representa o curso esperado para todos.









