A ferida que aparece repetidamente no canto da boca pode ser uma queilite angular, inflamação também conhecida popularmente como boqueira. O problema costuma envolver uma combinação de umidade, irritação local e, em alguns casos, proliferação de fungos ou bactérias, por isso não é correto atribuir automaticamente cada episódio à falta de uma vitamina. Quando a fissura sempre retorna, entender o que mantém a região irritada é tão importante quanto tratar a lesão visível.
Por que a queilite angular aparece justamente no canto da boca?
Os cantos dos lábios são áreas submetidas constantemente a movimento quando a pessoa fala, mastiga, boceja ou abre a boca. Quando a pele dessa região fica úmida por saliva e sofre atrito repetido, sua barreira de proteção pode se romper, favorecendo vermelhidão, ardor, descamação e pequenas fissuras dolorosas.
Esse quadro é chamado de queilite angular. A lesão pode surgir em apenas um lado ou nos dois e pode doer principalmente ao abrir a boca. Pessoas que usam próteses dentárias, apresentam alterações na mordida ou acumulam saliva nos cantos dos lábios podem ter maior predisposição.
Por que algumas feridas melhoram e depois aparecem de novo?
A recorrência pode acontecer quando o fator que favoreceu a lesão permanece presente. Se a saliva continua acumulando na região, por exemplo, a pele pode permanecer constantemente macerada e vulnerável, mesmo depois de uma melhora temporária. Ressecamento, hábito de lamber os lábios e alterações dentárias também podem manter esse ciclo.
Uma revisão sobre candidíase oral e queilite angular descreve a participação de Candida em parte dos casos e destaca fatores como próteses, redução da salivação e alterações imunológicas entre os elementos associados. Isso não significa que toda boqueira seja causada por fungos, já que a condição pode ter origem multifatorial.

O que pode manter a fissura nos cantos dos lábios?
Diferentes fatores podem atuar isoladamente ou ao mesmo tempo:
- Contato prolongado com saliva: mantém a pele úmida e facilita irritação e maceração;
- Infecção por fungos: espécies de Candida podem colonizar a região lesionada;
- Bactérias: principalmente Staphylococcus aureus, também podem estar presentes em alguns casos;
- Próteses dentárias ou alterações da mordida: podem favorecer dobras mais profundas nos cantos da boca e acúmulo de saliva;
- Pele sensível ou dermatites: aumentam a tendência a irritação e fissuras;
- Hábito de lamber os lábios: pode piorar a umidade seguida de ressecamento e prejudicar a barreira da pele;
- Algumas condições sistêmicas: alterações nutricionais, imunológicas ou metabólicas podem contribuir em pessoas selecionadas.
É sempre falta de vitamina quando a boqueira volta?
Não. Deficiências de ferro e de alguns nutrientes, incluindo vitaminas do complexo B, podem estar associadas à queilite angular, mas representam apenas parte das possíveis causas. Uma revisão intitulada Angular cheilitis, part 2: nutritional, systemic, and drug-related causes and treatment, publicada no periódico Cutis, destaca que fatores nutricionais, doenças sistêmicas, medicamentos e condições locais podem atuar separadamente ou em conjunto.
Por isso, usar suplemento de vitamina B12, ferro ou outro nutriente sem demonstrar deficiência pode não resolver a causa da lesão. Quando existem sinais como cansaço importante, palidez, alterações na língua, restrição alimentar ou outras manifestações compatíveis, o médico pode considerar exames para investigar deficiência de vitamina B12, ferro ou outros nutrientes.

Quando a ferida no canto da boca precisa ser investigada?
Alguns padrões indicam que vale procurar avaliação profissional em vez de apenas repetir pomadas por conta própria:
- A fissura retorna frequentemente no mesmo local;
- A lesão não melhora depois de uma ou duas semanas;
- Existem crostas, secreção, inchaço ou sinais de infecção mais extensa;
- A dor dificulta comer, falar ou abrir a boca;
- Há placas esbranquiçadas dentro da boca, que podem acompanhar candidíase oral;
- Existem outras alterações persistentes nos lábios, língua ou mucosa oral;
- Os episódios são muito frequentes ou surgem junto com outros sintomas gerais;
- A pessoa usa prótese dentária que parece mal ajustada ou favorece acúmulo constante de saliva.
O tratamento depende da causa identificada e pode envolver proteção da pele, correção dos fatores que mantêm umidade ou irritação e, quando há indicação, medicamentos antifúngicos ou antibacterianos. Dermatologista, dentista, estomatologista ou clínico geral podem avaliar a região e decidir se são necessários exames ou investigação de causas nutricionais e sistêmicas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica ou odontológica com dermatologista, dentista, estomatologista ou outro profissional adequado.









