O alívio da dor de dente exige uma abordagem técnica que diferencia o controle da dor (analgesia) da redução do processo inflamatório. A escolha do fármaco ou método caseiro deve ser baseada na intensidade do sintoma e na presença de sinais infecciosos, garantindo que o manejo paliativo não mascare condições graves que podem evoluir para abscessos ou quadros sistêmicos.
Quais são os analgésicos mais indicados para dor de dente?
Para dores agudas de intensidade leve, os analgésicos não opioides são a primeira escolha para estabilizar o limiar de dor. Segundo o estudo clínico “Single dose oral paracetamol (acetaminophen) for acute postoperative painSingle dose oral ibuprofen plus paracetamol (acetaminophen) for acute postoperative pain“, o paracetamol é altamente eficaz em doses terapêuticas para o controle sintomático inicial.
O uso da dipirona sódica também é amplamente validado por sua ação analgésica e antitérmica robusta. No entanto, é fundamental respeitar a posologia indicada para evitar efeitos adversos, uma vez que esses medicamentos atuam inibindo a síntese de prostaglandinas no sistema nervoso central.
Quando utilizar anti-inflamatórios potentes?
Em situações onde a dor é pulsátil ou acompanhada de edema, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são superiores. O estudo “Nonsteroidal Anti-inflammatory Drugs for Managing Postoperative Endodontic Pain in Patients Who Present with Preoperative Pain: A Systematic Review and Meta-analysis”, comprova que o ibuprofeno oferece o melhor balanço entre alívio e segurança para dor dentária.
Esses fármacos bloqueiam as enzimas COX-1 e COX-2, reduzindo a produção de mediadores químicos que causam o inchaço e a sensibilidade nervosa. A nimesulida e o cetoprofeno são alternativas comuns, mas seu uso deve ser restrito a poucos dias para prevenir lesões na mucosa gástrica.

Quais remédios caseiros podem ajudar?
Recursos naturais podem ser utilizados para controle imediato através de propriedades anestésicas locais ou osmóticas. Veja quais são eles na tabela abaixo:
Como funcionam os anestésicos tópicos?
Os anestésicos tópicos, como o cloridrato de benzocaína, agem bloqueando reversivelmente a condução nervosa na mucosa oral. O estudo “Efficacy of Benzocaine 20% Topical Anesthetic Compared to Placebo Prior to Administration of Local Anesthesia in the Oral Cavity: A Randomized Controlled Trial”, indica que esses géis são úteis para alívio momentâneo em tecidos moles e gengivas irritadas.
Contudo, sua penetração em tecidos duros (como o esmalte) é nula, o que limita sua eficácia em dores originadas no interior do dente. O uso excessivo deve ser evitado, pois a absorção sistêmica pode causar irritação local ou reações alérgicas em indivíduos sensíveis.
Quais sinais na dor de dente indicam a necessidade de antibióticos?
A prescrição de antibióticos é reservada para infecções bacterianas confirmadas com sinais de disseminação. O estudo “Evidence-based clinical practice guideline on antibiotic use for the urgent management of pulpal- and periapical-related dental pain and intraoral swelling: A report from the American Dental Association”, reforça que o antibiótico não possui efeito analgésico e seu uso indiscriminado gera resistência bacteriana.
- Amoxicilina: Estudo de primeira linha para abscessos dentários devido ao seu espectro de ação contra patógenos orais.
- Associação com Clavulanato: Utilizada quando há suspeita de bactérias produtoras de betalactamase que resistem à penicilina simples.
- Metronidazol: Indicado para infecções anaeróbias severas, muitas vezes combinado com outros fármacos para ampliar a cobertura.
Lembre-se: Este conteúdo é informativo. É indispensável buscar orientação médica profissional ou de um cirurgião-dentista imediatamente, pois dores persistentes podem indicar infecções graves com risco de complicações sistêmicas.









