O azeite de oliva extravirgem é um dos alimentos mais estudados quando o assunto é proteção do coração. Rico em gordura monoinsaturada e polifenóis, ele se tornou peça central da dieta mediterrânea e vem sendo investigado em pesquisas que avaliam sua influência sobre a saúde dos vasos sanguíneos em pessoas com risco cardiovascular. Os resultados apontam benefícios consistentes, mas é importante entender que o azeite atua como parte de um conjunto de hábitos e não como solução isolada para as doenças do coração.
Por que o azeite de oliva chama tanto a atenção da ciência?
O azeite extravirgem é obtido por prensagem a frio das azeitonas, o que preserva compostos bioativos como o ácido oleico, o hidroxitirosol e o oleocantal. Essas substâncias têm ação antioxidante e anti-inflamatória, características que atraem o interesse da pesquisa cardiovascular há décadas.
Diferente das versões refinadas, o extravirgem mantém a maior parte dos polifenóis. Por isso, boa parte dos estudos que avaliam efeitos sobre a saúde vascular utiliza justamente esse tipo de azeite, e não os óleos mais processados.
Como o azeite pode influenciar a saúde dos vasos?
As pesquisas mostram que o consumo regular do azeite extravirgem pode ajudar a reduzir a oxidação do colesterol LDL, uma etapa importante na formação de placas nas artérias. Também há evidências de melhora da função do endotélio, camada que reveste os vasos por dentro.
Além disso, o ácido oleico contribui para o equilíbrio entre colesterol bom e ruim, o que é relevante para quem já apresenta fatores de risco como hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença cardíaca.

O que estudos recentes têm observado em pessoas com risco cardíaco?
Nos últimos anos, várias pesquisas avaliaram o impacto do azeite extravirgem sobre marcadores cardiovasculares. Entre os achados que mais aparecem na literatura estão:
- Redução do colesterol LDL oxidado, associado à formação de placas nas artérias
- Melhora de marcadores de inflamação, como a proteína C reativa
- Discreta queda da pressão arterial em algumas populações estudadas
- Menor risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral quando combinado à dieta mediterrânea
- Efeitos favoráveis sobre o controle da glicemia em pessoas com risco metabólico
- Ação antioxidante que ajuda a proteger as células dos vasos sanguíneos
Esses resultados são mais expressivos em quem já apresenta risco cardiovascular elevado.
O que diz um estudo científico sobre o azeite e o coração?
Um dos trabalhos mais citados na área é o estudo PREDIMED. Segundo a análise Olive oil intake and risk of cardiovascular disease and mortality in the PREDIMED Study, publicada no periódico BMC Medicine, o consumo mais elevado de azeite extravirgem foi associado a uma redução aproximada de 39% no risco de doença cardiovascular em adultos com alto risco cardíaco, em comparação com quem consumia menos.
Os autores destacam que o efeito protetor foi observado principalmente dentro de um padrão alimentar mediterrâneo, o que reforça a ideia de que o azeite atua em conjunto com outros hábitos saudáveis, como o consumo de vegetais, peixes, leguminosas e grãos integrais.

Como incluir o azeite de forma equilibrada no dia a dia?
Para aproveitar os benefícios sem exagerar nas calorias, a recomendação mais comum é de cerca de duas colheres de sopa por dia, usadas preferencialmente cru, em saladas, legumes cozidos, sopas e pratos já finalizados. O aquecimento em altas temperaturas reduz parte dos compostos bioativos.
Vale escolher azeites com acidez igual ou inferior a 0,8% e embalagens de vidro escuro, que protegem os polifenóis. Pessoas com colesterol alterado, como colesterol LDL alto, hipertensão ou doença cardíaca já diagnosticada devem conversar com um médico ou nutricionista antes de fazer mudanças significativas na dieta.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico de confiança para diagnóstico e tratamento adequados.









