Unhas quebradiças, com sulcos, manchas brancas ou crescimento lento raramente são apenas questão estética. Em muitos casos, essas alterações refletem carências nutricionais que ainda não deram sinais mais evidentes, como dores ósseas, câimbras ou fraqueza muscular. Vitamina D e cálcio estão entre os nutrientes cuja falta pode aparecer na lâmina ungueal antes de repercutir em ossos e músculos. Reconhecer esses indícios cedo permite investigar o quadro por exames de sangue e evitar que a deficiência progrida silenciosamente até estágios mais graves.
Por que as unhas podem denunciar deficiências nutricionais?
A lâmina ungueal é formada por queratina e depende de um fluxo constante de nutrientes para crescer com espessura, brilho e resistência adequados. Como as células que a compõem se renovam de forma contínua, alterações nutricionais discretas já podem interferir na qualidade do crescimento em poucas semanas.
Quando faltam vitamina D, cálcio, ferro, biotina ou zinco, a formação da queratina fica comprometida e a unha perde estrutura. Essa sensibilidade explica por que as unhas costumam ser consideradas um espelho precoce do estado nutricional e podem revelar carências antes de outros tecidos afetados.
Como a falta de vitamina D e cálcio se relaciona com alterações ungueais?
A vitamina D é essencial para a absorção do cálcio no intestino e, sem ela, o organismo não aproveita adequadamente o mineral consumido na dieta. Esse desequilíbrio afeta o crescimento ósseo, a força muscular e a saúde da lâmina ungueal, que passa a ficar mais fina e frágil.
A deficiência de vitamina D costuma ser silenciosa no início e pode se manifestar por unhas com crescimento lento, sulcos longitudinais e maior fragilidade. Já a hipocalcemia crônica pode causar unhas quebradiças, ressecamento da pele e alterações nos cabelos, mesmo antes das dores ósseas e câimbras clássicas.

Que sinais nas unhas merecem atenção especial?
Alguns padrões visuais ajudam a reconhecer quando o problema pode ter origem nutricional. Observe as características descritas a seguir.
- Unhas finas e quebradiças: lascam com facilidade nas pontas e se dobram sob pressão leve, sugerindo baixa reserva de queratina.
- Sulcos longitudinais: linhas verticais que percorrem a unha e podem estar associadas a envelhecimento, mas também a carências nutricionais.
- Manchas brancas dispersas: chamadas de leuconíquia, podem refletir traumas locais ou, em alguns casos, deficiências de cálcio e zinco.
- Formato em colher: chamado de coiloníquia, com a lâmina côncava, é sinal clássico de anemia por falta de ferro.
- Sulcos transversais profundos: as chamadas linhas de Beau surgem após episódios de doença grave, jejum prolongado ou má nutrição.
- Crescimento muito lento: quando as unhas demoram meses para atingir o tamanho habitual, pode indicar deficiência crônica de nutrientes.
O que os estudos científicos mostram sobre unhas e doenças sistêmicas?
A ciência reforça o papel das unhas como marcador clínico. Segundo a revisão Nail as a window of systemic diseases, publicada em 2015 no periódico Indian Dermatology Online Journal, alterações nas unhas podem revelar tanto deficiências nutricionais quanto doenças sistêmicas silenciosas, funcionando como uma janela para a saúde geral do organismo.
Os autores destacam que unhas moles, chamadas de hapaloníquia, podem estar associadas à deficiência de vitamina D, enquanto a coiloníquia é um sinal clássico da falta de ferro. A revisão reforça que o exame cuidadoso das unhas deve fazer parte da avaliação clínica de rotina, sobretudo quando outros sintomas ainda são discretos.

Quais exames confirmam a origem nutricional e quando procurar avaliação?
Nem toda alteração nas unhas é sinal de carência nutricional, e a confirmação exige investigação médica. Alguns exames simples ajudam a esclarecer a causa.
- Dosagem de vitamina D (25-hidroxivitamina D) no sangue, para confirmar suficiência ou deficiência.
- Cálcio sérico total e cálcio iônico, avaliando o mineral em circulação.
- Hemograma completo e ferritina, úteis para detectar anemia e reservas de ferro.
- Dosagem de zinco, magnésio e vitamina B12, quando há suspeita de carência associada.
- TSH e T4 livre, já que alterações da tireoide também afetam as unhas.
- Albumina sérica, marcador do estado nutricional geral.
Diante de unhas persistentemente frágeis, com sulcos, manchas ou crescimento lento, é indicado procurar um clínico geral, dermatologista ou nutrólogo. A avaliação combina histórico alimentar, exame físico e exames laboratoriais, o que permite identificar a carência específica e definir o tratamento adequado, evitando suplementação inadequada e reduzindo o risco de complicações a longo prazo.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Procure sempre orientação médica diante de qualquer sintoma.









