Feridas que não cicatrizam nas pernas e nos pés podem ter origens circulatórias bem diferentes, e a localização é uma pista importante para identificar a causa. Úlceras próximas ao maléolo interno, na região do tornozelo, costumam indicar problemas venosos, enquanto lesões nas pontas dos dedos ou no calcanhar apontam para redução do fluxo arterial. Reconhecer essa diferença ajuda a buscar avaliação vascular precoce e evitar complicações graves, principalmente em pessoas com diabetes.
Por que a localização da ferida indica a origem circulatória?
A ferida venosa costuma surgir na parte interna do tornozelo porque essa é a região de maior pressão dentro das veias das pernas. O acúmulo de sangue lesiona a pele, causa manchas escuras e favorece o aparecimento de úlceras rasas e úmidas.
Já a ferida arterial aparece nas pontas dos dedos, no calcanhar ou entre os dedos, áreas mais distantes do coração e mais sensíveis à falta de oxigênio. São lesões geralmente pequenas, secas, muito dolorosas e com bordas bem definidas.
Quais são as características das úlceras venosas e arteriais?
Observar a aparência e o comportamento da ferida ajuda a diferenciar as duas causas circulatórias e a orientar a investigação vascular. As principais características são:
- Úlcera venosa: localizada próxima ao maléolo interno, com bordas irregulares, base úmida, secreção amarelada e pele ao redor escurecida e endurecida.
- Úlcera arterial: encontrada nos dedos, no calcanhar ou nas laterais dos pés, com bordas bem definidas, base seca, pele fria e pálida ao redor.
- Dor associada: costuma piorar em pé nos casos venosos e melhorar com elevação da perna; nas úlceras arteriais, a dor piora com a perna elevada e melhora ao deixá-la pendente.
- Pulsos nos pés: geralmente preservados nas lesões venosas e diminuídos ou ausentes nas arteriais.
- Evolução da cicatrização: lenta em ambos os casos, mas as feridas arteriais tendem a piorar mais rápido e podem evoluir para necrose.
Diante desses sinais, é fundamental procurar um profissional de saúde para investigação, já que o tratamento é diferente em cada caso. Vale conhecer mais sobre a úlcera venosa, uma das feridas circulatórias mais comuns nas pernas.

Como um estudo científico reforça a importância da avaliação precoce?
A investigação vascular precoce muda o prognóstico das feridas nas pernas e nos pés, especialmente em pessoas com fatores de risco. Segundo a declaração científica Lower Extremity Peripheral Artery Disease Contemporary Epidemiology, Management Gaps, and Future Directions, publicada na revista Circulation pela American Heart Association, a doença arterial periférica afeta mais de 230 milhões de adultos no mundo e é uma das principais causas de úlceras isquêmicas e amputações não traumáticas.
O documento reforça a necessidade de identificar precocemente os sinais de isquemia arterial nas extremidades, especialmente em pessoas com diabetes, tabagismo ou histórico cardiovascular, para reduzir o risco de complicações graves.
Por que pessoas com diabetes precisam de atenção redobrada?
O diabetes descontrolado prejudica os nervos e a circulação das pernas, o que reduz a sensibilidade nos pés e dificulta a cicatrização. Pequenos cortes, calos e bolhas podem evoluir para feridas profundas sem que a pessoa perceba nos estágios iniciais.
Além disso, o risco de infecções e amputações é maior nesse grupo, o que torna essencial o exame diário dos pés, o uso de calçados adequados e o acompanhamento regular com o médico. Saiba mais sobre os cuidados com o pé diabético para prevenir complicações.

Quando procurar avaliação vascular diante de uma ferida que não cicatriza?
Qualquer ferida na perna ou no pé que não fecha em duas a quatro semanas exige investigação médica. Sinais como dor intensa, secreção com odor, vermelhidão ao redor, febre, escurecimento da pele ou perda de sensibilidade indicam a necessidade de atendimento rápido.
O angiologista ou cirurgião vascular pode solicitar exames como o ultrassom Doppler para avaliar a circulação arterial e venosa e definir a melhor conduta. Também é importante controlar fatores de risco, como diabetes, hipertensão e tabagismo, para preservar a saúde da circulação nas pernas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico angiologista, cirurgião vascular ou endocrinologista. Consulte sempre um profissional qualificado diante de qualquer ferida que demore a cicatrizar.









