Tomar remédios para azia por longos períodos pode reduzir a absorção de vitamina B12 pelo intestino, especialmente quando o uso ultrapassa vários meses ou anos sem acompanhamento médico. Medicamentos como omeprazol e pantoprazol, chamados inibidores da bomba de prótons, diminuem a acidez estomacal essencial para liberar a B12 dos alimentos. Como essa vitamina é fundamental para os nervos e para a formação das células do sangue, sua deficiência pode causar sintomas silenciosos que só aparecem quando o problema já está avançado.
Como funcionam os remédios para azia no organismo?
Os inibidores da bomba de prótons, como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, atuam bloqueando as células do estômago responsáveis pela produção de ácido clorídrico. Essa redução da acidez alivia sintomas de refluxo, gastrite, úlceras e queimação, além de proteger a mucosa gástrica.
Apesar da eficácia comprovada, esses medicamentos costumam ser utilizados por períodos maiores do que o recomendado, muitas vezes sem prescrição médica atualizada, o que pode levar a efeitos indesejados a longo prazo. Conhecer o funcionamento e as indicações do tratamento para refluxo gastroesofágico ajuda a evitar o uso prolongado sem necessidade.
Por que a acidez estomacal é essencial para absorver a vitamina B12?
A vitamina B12 presente nos alimentos está ligada a proteínas e precisa ser liberada para ser absorvida pelo intestino. Essa liberação depende do ácido clorídrico e da pepsina, produzidos pelo estômago, que separam a vitamina das proteínas alimentares.
Quando a acidez gástrica é reduzida por longos períodos, esse processo fica comprometido, dificultando a absorção da B12 no intestino delgado. Com o tempo, as reservas do organismo se esgotam, o que pode levar a sintomas neurológicos, cansaço e alterações na produção de glóbulos vermelhos.

Quais grupos correm maior risco de desenvolver deficiência de B12?
Alguns perfis apresentam maior vulnerabilidade quando fazem uso prolongado desses medicamentos, seja pela idade, seja por hábitos alimentares ou condições associadas. Entre os principais estão:
- Idosos, que já apresentam redução natural da acidez estomacal e maior risco de anemia perniciosa
- Vegetarianos e veganos, pois consomem pouca ou nenhuma proteína animal, principal fonte de B12
- Pessoas com gastrite atrófica ou infecção crônica por Helicobacter pylori
- Pacientes que fizeram cirurgia bariátrica, especialmente do tipo Y-de-Roux
- Portadores de doenças intestinais, como doença de Crohn e doença celíaca
- Usuários de metformina para diabetes, que também interfere na absorção da vitamina
Como um estudo científico confirma essa relação?
A associação entre o uso prolongado desses medicamentos e a deficiência de vitamina B12 está bem documentada na literatura médica. Segundo a revisão sistemática com meta-análise Vitamin B12 deficiency and use of proton pump inhibitors, publicada em 2023 na revista Expert Review of Gastroenterology and Hepatology e disponível no PubMed, o uso desses medicamentos aumenta em cerca de 42% o risco de deficiência de B12 quando comparado a pessoas que não os utilizam.
Os autores analisaram 25 estudos com mais de 30 mil participantes e reforçam que o uso desses medicamentos deve ser reavaliado periodicamente pelo médico, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais para a deficiência da vitamina.

Como usar esses medicamentos com segurança e monitorar a B12?
O uso desses remédios pode ser necessário e seguro quando indicado corretamente, mas exige acompanhamento médico regular para evitar deficiências nutricionais. Algumas atitudes ajudam a reduzir os riscos:
- Utilizar o medicamento apenas pelo tempo e na dose prescrita pelo médico
- Reavaliar periodicamente a real necessidade do tratamento com um gastroenterologista
- Realizar exames de sangue para dosagem de vitamina B12, especialmente após 6 meses de uso contínuo
- Incluir alimentos ricos em vitamina B12 na rotina, como carnes, peixes, ovos e laticínios
- Considerar suplementação sob orientação profissional em caso de risco elevado
- Nunca interromper o medicamento por conta própria, pois isso pode causar efeito rebote e piora dos sintomas
A decisão de manter, ajustar ou suspender o tratamento deve ser sempre individualizada, considerando o quadro clínico e os fatores de risco de cada pessoa.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança para orientações personalizadas.









