O infarto e a parada cardíaca são frequentemente confundidos, mas envolvem mecanismos completamente diferentes dentro do coração. O infarto é um problema de “encanamento”, causado pela obstrução de uma artéria que impede o sangue de chegar ao músculo cardíaco. Já a parada cardíaca é um problema “elétrico”, em que o coração deixa de bater de forma eficaz e a pessoa perde a consciência em segundos. Saber diferenciar as duas situações pode fazer a diferença entre a vida e a morte no momento do socorro.
O que caracteriza um infarto?
O infarto agudo do miocárdio acontece quando uma placa de gordura acumulada nas artérias coronárias se rompe e forma um coágulo, bloqueando a passagem de sangue. Sem oxigênio, parte do músculo cardíaco começa a morrer, mas o coração geralmente continua batendo e a pessoa permanece consciente.
Os sintomas do infarto costumam surgir de forma gradual e incluem dor ou aperto no peito que irradia para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula, suor frio, náuseas e falta de ar. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 85% das mortes por infarto ocorrem nas primeiras 24 horas, o que reforça a urgência do atendimento hospitalar.
O que caracteriza uma parada cardíaca?
A parada cardiorrespiratória é uma falha elétrica súbita no coração, que faz com que ele pare de bombear sangue de forma eficaz. Sem circulação, o cérebro deixa de receber oxigênio em poucos segundos e a pessoa perde a consciência imediatamente, deixando de respirar ou apresentando respiração agônica.
Diferentemente do infarto, a parada cardíaca pode ocorrer sem sintomas prévios, embora o próprio infarto seja uma das principais causas. Outras origens incluem arritmias graves, choque elétrico, afogamento e overdose. É uma emergência absoluta que exige intervenção imediata para evitar morte cerebral.

Como diferenciar as duas emergências na prática?
Reconhecer rapidamente se a pessoa está infartando ou em parada cardíaca orienta a conduta correta e evita atrasos no atendimento. Observe os sinais que ajudam a distinguir cada situação:
- Consciência: no infarto a vítima geralmente está acordada e conversa; na parada cardíaca ela desmaia em segundos e não responde a estímulos
- Respiração: quem infarta respira, mesmo com dificuldade; em parada, a respiração some ou fica em gasping (movimentos ofegantes e irregulares)
- Dor no peito: típica do infarto, com duração acima de 20 minutos; na parada, quando existe, precede o colapso
- Pulso: presente no infarto; ausente ou imperceptível na parada cardíaca
- Evolução: o infarto tem início gradual; a parada é súbita e catastrófica
Quando fazer RCP e quando chamar ajuda?
A conduta muda completamente conforme o quadro. Se a pessoa está consciente e com sintomas de infarto, ligue imediatamente para o SAMU (192), mantenha-a sentada em repouso, afrouxe as roupas e evite oferecer água ou comida até a chegada do socorro. Não é o momento de iniciar massagem cardíaca.
Se a vítima está inconsciente e não respira, trata-se de parada cardíaca e é preciso iniciar imediatamente a massagem cardíaca enquanto alguém chama o SAMU. A American Heart Association recomenda compressões torácicas fortes e rápidas, no ritmo de 100 a 120 por minuto, sem interrupções, até a chegada do socorro ou de um desfibrilador externo automático.

O que a ciência mostra sobre a RCP feita por leigos?
A eficácia da reanimação iniciada por pessoas comuns antes da chegada do socorro médico está amplamente documentada em publicações científicas de referência. Segundo o estudo Early Cardiopulmonary Resuscitation in Out-of-Hospital Cardiac Arrest, publicado na revista The New England Journal of Medicine, a taxa de sobrevivência em 30 dias após parada cardíaca fora do hospital foi de 10,5% quando a RCP foi iniciada por leigos antes da chegada da ambulância, contra apenas 4% quando ninguém realizou as manobras. Os autores concluem que a reanimação precoce mais que dobra as chances de sobrevida, o que reforça a importância de treinar a população em suporte básico de vida. Se restar dúvida sobre como agir, veja o passo a passo dos primeiros socorros no infarto antes que a emergência aconteça.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou profissional de saúde qualificado. Em caso de suspeita de infarto ou parada cardíaca, ligue imediatamente para o SAMU (192) e procure atendimento de emergência.









