Atum em lata e sardinha em lata salvam refeições rápidas. Eles entregam proteína de alto valor biológico, ômega 3 e minerais por um preço acessível. Só que duas latas do mesmo tamanho podem trazer quantidades muito diferentes de sódio e de gordura, conforme a marca e o líquido de cobertura. Ler o rótulo prestando atenção ao peso drenado, à porção e à tabela de informação nutricional é o que permite comparar de verdade.
O que conferir primeiro na embalagem do peixe enlatado?
A tabela nutricional brasileira agora mostra os valores por 100 g, além da porção. Essa coluna é a mais útil para comparar marcas, porque elimina a diferença de tamanho entre as latas. Antes de olhar os números, identifique estes pontos:
- Peso drenado: é a quantidade real de peixe, sem óleo, água ou molho. Uma lata de 170 g costuma ter perto de 120 g de peixe.
- Lista de ingredientes: a ordem mostra o que existe em maior quantidade. Sal, óleo de soja, amido e açúcar aparecem com frequência.
- Lupa frontal: o aviso “alto em sódio” é obrigatório quando o alimento sólido passa de 600 mg por 100 g.
- Tipo de corte: sólido, em pedaços ou ralado. O corte muda a textura e o preço, mas nem sempre muda o teor de proteínas.
O peso líquido, impresso em destaque na frente da lata, inclui o líquido de cobertura. Por isso ele não serve para saber quanto peixe você está levando para casa.

O que acontece quando o rótulo é comparado com o conteúdo da lata?
Uma pesquisa feita no México analisou conservas de pescado e comparou os valores impressos nas embalagens com medições feitas em laboratório. O sódio variou de 170 a 800 mg por porção entre os produtos. Apenas parte das marcas mostrou valores reais de proteína, lipídios e sal dentro do declarado, o que revela uma divergência entre o declarado e o medido em boa parte das conservas avaliadas.
O levantamento não foi feito no Brasil, mas deixa duas lições práticas. A diferença de sal entre produtos do mesmo tipo pode chegar a quase cinco vezes. E a tabela é uma estimativa média, não uma medida exata de cada lata. Comparar duas ou três opções na gôndola diminui a chance de levar justamente a mais salgada.
Quanto de proteína entrega cada tipo de peixe em conserva?
O atum em lata costuma oferecer entre 22 e 26 g de proteína por 100 g de produto drenado, com pouca gordura na versão em água. A sardinha em lata fica em uma faixa parecida, entre 20 e 25 g, mas tem mais ômega 3. Ela ainda leva uma vantagem: as espinhas amolecidas pelo cozimento sob pressão fornecem cálcio em quantidade relevante, algo que o atum não tem.
Na tabela, confira se os valores se referem ao peixe drenado ou ao conteúdo total da lata. Além das proteínas, o atum fornece selênio e vitamina D, e vale conhecer os benefícios do atum no cardápio com preparos que não acrescentam mais sal ao prato.

Óleo, água ou molho: o líquido de cobertura muda o quê?
O líquido da conserva interfere direto no valor energético e na quantidade de sal do produto. Cada versão tem um perfil próprio:
- Em óleo: mais calorias e gordura. Parte do ômega 3 passa do peixe para o óleo, então escorrer tudo descarta um pouco dele.
- Em água ou ao natural: menos calorias, mas a salmoura costuma concentrar sal. Escorrer bem e passar o peixe rapidamente em água corrente remove parte desse excesso.
- Com molho de tomate: soma licopeno, mas pode trazer açúcar e amido na lista de ingredientes.
- Versões light ou com teor reduzido de sal: o termo vale para um nutriente específico, então a tabela continua sendo a referência.
O sal da salmoura é a principal fonte de sódio do atum em lata. Outra investigação na mesma linha testou trocar metade ou todo o sal por cloreto de potássio e hidrolisado proteico em atum em óleo. O resultado foi uma queda de sódio entre 30% e 48%, com aumento de potássio e sem perda de estabilidade do produto.
Como escolher a melhor lata no corredor do mercado?
Coloque duas latas lado a lado e compare a coluna por 100 g: mais proteína e menos sódio indicam a melhor opção. Prefira o atum em lata em água quando a meta for controlar calorias, e a sardinha em lata quando quiser somar cálcio e ômega 3 ao prato. Uma única lata pode responder por boa parte do limite de 2.000 mg de sódio por dia sugerido pela Organização Mundial da Saúde. Por isso, tempere a salada ou o sanduíche com limão, ervas e azeite, sem sal extra.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Pessoas com hipertensão, doença renal ou restrição de sal ou de potássio devem buscar orientação profissional antes de mudar a alimentação.









