Quando o estômago começa a embrulhar, uma raiz comum na cozinha pode ajudar em determinadas situações: o gengibre. Utilizado há séculos na alimentação, ele também é uma das plantas mais estudadas para o alívio de náuseas, especialmente durante a gravidez. Os resultados científicos são promissores, mas não significam que qualquer chá ou quantidade da raiz funcione da mesma maneira, nem que seu consumo seja seguro para todas as pessoas.
Por que o gengibre pode ajudar a aliviar o enjoo?
O gengibre contém substâncias naturais conhecidas como gingeróis e shogaóis, responsáveis por parte de seu sabor picante e de seus possíveis efeitos sobre o sistema digestivo. Esses compostos são estudados por sua participação em mecanismos relacionados ao movimento do estômago e aos sinais envolvidos na sensação de náusea.
O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos, ligado aos Institutos Nacionais de Saúde, reconhece que o gengibre pode ajudar em algumas formas de náusea. Entretanto, destaca que muitas pesquisas apresentam limitações metodológicas e avaliaram suplementos alimentares, não necessariamente o gengibre utilizado nas refeições.
Isso significa que existe respaldo científico para determinados usos, mas o efeito depende da causa do enjoo, da preparação utilizada e das características de cada pessoa.
Em quais situações o gengibre apresentou melhores resultados?
Entre os diferentes tipos de náusea investigados, os resultados mais consistentes aparecem em pesquisas com gestantes. Uma revisão científica publicada em 2024, que analisou revisões e metanálises sobre o uso do gengibre durante a gravidez, encontrou resultados favoráveis para a redução da náusea em comparação com placebo.
Os pesquisadores, porém, identificaram qualidade metodológica baixa ou criticamente baixa nas análises incluídas. Além disso, os resultados foram mais favoráveis para a sensação de enjoo do que para a frequência dos episódios de vômito. A evidência disponível, portanto, não permite afirmar que o gengibre funciona igualmente em todas as gestantes.
Outras situações também foram estudadas:
- Náuseas após cirurgias: algumas pesquisas observaram redução do desconforto, embora os resultados variem entre os estudos.
- Enjoo durante tratamentos médicos: determinados estudos investigaram o gengibre como complemento ao tratamento convencional, com resultados variados.
- Enjoo de movimento: existem pesquisas sobre viagens, mas as evidências são menos consistentes.
O gengibre não deve substituir medicamentos indicados para controlar náuseas, especialmente quando elas estão relacionadas a tratamentos médicos ou doenças que exigem acompanhamento.

Chá de gengibre funciona da mesma forma que os suplementos estudados?
Não necessariamente. Grande parte dos estudos clínicos utilizou cápsulas, extratos ou preparações com quantidades controladas de gengibre. Uma infusão feita em casa pode apresentar concentrações diferentes dos compostos ativos, dependendo da quantidade da raiz, do tempo de preparo e das características do ingrediente.
O gengibre pode ser utilizado em diferentes preparações alimentares, incluindo chás, sucos e refeições. Para pessoas saudáveis, o consumo culinário habitual geralmente é bem tolerado. Isso, porém, não estabelece uma quantidade medicinal universal nem garante o mesmo benefício observado nos ensaios clínicos.
Quando o enjoo é leve e passageiro, manter a hidratação e preferir refeições menores também pode ajudar no conforto. Se os sintomas persistirem, é necessário investigar a causa em vez de aumentar a quantidade de gengibre consumida.
Grávidas e pessoas que usam anticoagulantes podem consumir gengibre?
Esses grupos precisam de cuidados específicos. Durante a gravidez, existem evidências favoráveis ao uso de determinadas preparações de gengibre para náuseas, mas a segurança depende da forma, da quantidade e das condições da gestante. Por isso, suplementos e uso medicinal devem ser discutidos previamente com o profissional responsável pelo pré-natal.
Para quem utiliza anticoagulantes, como a varfarina, a preocupação é diferente. O Memorial Sloan Kettering Cancer Center alerta para possíveis interações entre suplementos de gengibre e medicamentos que interferem na coagulação. Embora as evidências clínicas ainda sejam inconclusivas, existe preocupação com aumento do risco de sangramentos, especialmente com preparações concentradas.
Azia, desconforto abdominal e diarreia também podem ocorrer, principalmente com quantidades elevadas. Quem usa medicamentos regularmente não deve iniciar suplementos de gengibre sem orientação médica ou farmacêutica.

Quando o enjoo precisa ser investigado em vez de tratado em casa?
Uma náusea ocasional é diferente de um desconforto que se repete ou impede a alimentação. Vômitos persistentes, sinais de desidratação, perda de peso involuntária ou dificuldade para manter líquidos exigem avaliação médica. Dor abdominal intensa, vômito com sangue ou confusão mental são sinais que justificam atendimento de emergência.
Na gravidez, episódios frequentes de vômito também precisam ser comunicados ao obstetra, principalmente quando dificultam a hidratação e a alimentação. O gengibre pode ser um recurso complementar em situações selecionadas, mas identificar a causa do enjoo continua sendo o passo mais importante para escolher o cuidado adequado.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Gestantes, pessoas que utilizam anticoagulantes ou outros medicamentos contínuos e pacientes com náuseas persistentes devem buscar orientação profissional antes de utilizar gengibre com finalidade medicinal.









