Enjoo leve, excesso de gases e sensação de barriga estufada depois de comer podem aparecer após refeições volumosas ou gordurosas e, em situações ocasionais, alguns chás podem trazer conforto. Gengibre, hortelã-pimenta, erva-doce, camomila e erva-cidreira estão entre as opções usadas para sintomas digestivos leves. O efeito, porém, varia conforme a planta e a causa do desconforto, e os chás não substituem a investigação quando a má digestão acontece com frequência.
Quais chás podem ajudar na má digestão?
As opções não agem todas da mesma maneira. Algumas têm melhor evidência para náusea, enquanto outras são utilizadas principalmente para gases, estufamento e cólicas digestivas leves.
- Chá de gengibre: é a opção com evidência clínica mais consistente contra algumas formas de náusea. Uma análise de revisões sobre gengibre, náusea e vômitos encontrou resultados favoráveis principalmente em náuseas da gravidez, do pós-operatório e relacionadas à quimioterapia, embora a qualidade dos trabalhos avaliados tenha limitações.
- Chá de hortelã-pimenta: pode ser uma escolha quando predominam gases e sensação de estômago pesado. A Agência Europeia de Medicamentos reconhece seu uso tradicional para indigestão e flatulência, mas ressalta que essa indicação se baseia principalmente no uso prolongado, e não em evidência clínica robusta.
- Chá de erva-doce: o funcho é tradicionalmente utilizado para desconfortos gastrointestinais leves acompanhados de gases, estufamento e pequenos espasmos. A avaliação europeia inclui inclusive o chá entre as preparações da planta.
- Chá de camomila: pode ser usado em desconfortos leves, especialmente quando existem estufamento e pequenas cólicas. A camomila também tem uso tradicional reconhecido para queixas gastrointestinais menores.
- Chá de erva-cidreira: feita com Melissa officinalis, essa infusão é tradicionalmente empregada para sintomas digestivos leves, como gases e inchaço abdominal. Esse uso também aparece na avaliação do Comitê de Medicamentos à Base de Plantas da EMA.
Gengibre é melhor para enjoo e hortelã para gases?
Essa divisão pode servir como referência, mas não é uma regra. O gengibre tem estudos em humanos avaliando diretamente náusea e vômitos, enquanto boa parte da recomendação de hortelã, erva-doce, camomila e erva-cidreira para sintomas digestivos se apoia no uso tradicional e em dados sobre seus efeitos no trato gastrointestinal.
Para quem deseja outras opções e formas de preparo, o Tua Saúde reúne chás usados para aliviar a má digestão e o excesso de gases. Na prática, essas bebidas fazem mais sentido para episódios leves e ocasionais, e não como tratamento de uma causa persistente de indigestão.

Quem usa anticoagulante pode tomar chá de gengibre?
É preciso cautela. O gengibre pode interferir na agregação das plaquetas, e existe preocupação com aumento do risco de sangramento principalmente em suplementos ou preparações mais concentradas. O Memorial Sloan Kettering Cancer Center alerta que o uso junto com anticoagulantes e antiplaquetários pode aumentar esse risco, embora a evidência disponível ainda seja inconclusiva.
Quem usa warfarina ou outros anticoagulantes não deve consumir gengibre medicinal ou em grandes quantidades regularmente sem conversar com médico ou farmacêutico. A hortelã-pimenta também pode piorar azia e refluxo em algumas pessoas.

Quando a má digestão precisa ser investigada?
Um desconforto isolado depois de uma refeição pesada é diferente de enjoo, gases ou estufamento que aparecem repetidamente. Procure avaliação se os sintomas forem frequentes, estiverem piorando ou vierem acompanhados de perda de peso sem explicação, dificuldade para engolir, vômitos persistentes, sangue nas fezes, fezes muito escuras ou dor abdominal intensa.
Os chás podem ajudar no conforto de sintomas digestivos leves, mas não corrigem problemas como refluxo importante, úlceras, intolerâncias alimentares ou outras doenças do aparelho digestivo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas que usam medicamentos regularmente, estão grávidas ou têm doenças crônicas devem buscar orientação antes do uso frequente de plantas medicinais.








