Para quem já teve infarto ou outra doença cardiovascular causada por aterosclerose, um valor de colesterol considerado aceitável para uma pessoa de baixo risco pode continuar alto demais. Nesses casos, o principal alvo costuma ser o LDL, conhecido como colesterol “ruim”, e a meta pode ficar abaixo de 50 mg/dL ou até de 40 mg/dL em situações de risco extremo. A definição, porém, depende do problema cardíaco e do risco individual.
Qual deve ser o LDL de quem já teve um problema cardiovascular?
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 recomenda LDL abaixo de 50 mg/dL para pessoas classificadas como de risco cardiovascular muito alto. Esse grupo inclui quem apresenta doença aterosclerótica significativa nas artérias coronárias, cerebrais ou periféricas ou já teve um evento cardiovascular aterosclerótico.
Para quem está na categoria de risco extremo, a meta passa para LDL abaixo de 40 mg/dL. A diretriz também recomenda reduzir o LDL em pelo menos 50% em relação ao nível inicial para pessoas de risco alto, muito alto ou extremo. Portanto, não basta comparar o resultado com o valor considerado normal para a população geral.
Quando a meta pode chegar a menos de 40 mg/dL?
O risco extremo é reservado a situações específicas. Segundo a diretriz brasileira, entram nessa categoria pessoas que tiveram múltiplos eventos cardiovasculares ateroscleróticos maiores ou que tiveram um desses eventos e apresentam pelo menos duas condições adicionais de alto risco.
Entre os fatores considerados nessa avaliação estão diabetes, hipertensão, doença renal crônica, tabagismo atual, hipercolesterolemia familiar e idade a partir de 65 anos, entre outros. Por isso, duas pessoas que já tiveram um infarto podem receber metas diferentes após o cardiologista analisar todo o histórico.

Qual é a diferença entre LDL, HDL e colesterol total?
O colesterol não circula sozinho pelo sangue. Ele é transportado por diferentes lipoproteínas, e cada resultado do lipidograma fornece uma informação diferente. O valor ideal do colesterol varia principalmente de acordo com a fração analisada e o risco cardiovascular individual.
De forma simplificada:
- LDL: está diretamente relacionado ao desenvolvimento da aterosclerose e é o principal alvo do tratamento;
- HDL: participa do transporte reverso do colesterol e níveis acima de 40 mg/dL são considerados desejáveis;
- colesterol não-HDL: reúne diferentes partículas capazes de contribuir para a aterosclerose e também pode ser usado como meta;
- triglicerídeos: são outro tipo de gordura no sangue e acrescentam informações sobre o risco metabólico e cardiovascular;
- colesterol total: sozinho não mostra se o risco está bem controlado.
Por que a meta de LDL fica tão baixa depois de um infarto?
Depois que uma pessoa já apresentou doença aterosclerótica, existe maior probabilidade de ocorrer um novo evento cardiovascular. Reduzir intensamente o LDL diminui a quantidade de partículas que podem se acumular na parede das artérias e ajuda a reduzir esse risco ao longo do tempo.
É por isso que um LDL de 90 mg/dL, por exemplo, pode parecer baixo ao olhar apenas o resultado do laboratório, mas permanecer muito acima da meta de alguém que já sofreu um infarto. A interpretação precisa considerar não apenas se o exame aparece marcado como “normal”, mas qual é o alvo definido para aquela pessoa.

O que fazer quando o LDL ainda está acima da meta?
Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e abandono do cigarro fazem parte da prevenção cardiovascular, mas pessoas de risco elevado frequentemente também precisam de medicamentos para atingir valores mais baixos de LDL. Estatinas são a principal opção e, dependendo da resposta e do risco, o médico pode avaliar a associação com outros tratamentos.
Quem já teve infarto, colocou stent, fez cirurgia de revascularização ou apresenta doença arterial não deve interromper ou reduzir medicamentos para colesterol porque o exame melhorou. Muitas vezes, o valor está baixo justamente porque o tratamento está funcionando. O acompanhamento periódico permite comparar o LDL com a meta individual e ajustar a estratégia quando necessário.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um médico ou outro profissional de saúde qualificado.









