O mel pode ser usado ocasionalmente por algumas pessoas com diabetes, mas não deve ser encarado como uma substituição “liberada” para o açúcar. Apesar de ser natural e conter pequenas quantidades de outros compostos, ele é formado principalmente por açúcares, fornece carboidratos e também aumenta a glicose no sangue. Na prática, a quantidade consumida e o total de carboidratos da refeição são mais importantes do que a ideia de que um adoçante é natural.
Por que o mel também aumenta a glicose no sangue?
Grande parte dos carboidratos do mel está na forma de glicose e frutose. Depois de ingeridos, esses açúcares são absorvidos e participam da elevação da glicemia. O CDC inclui tanto o mel quanto o açúcar de mesa entre as fontes de carboidratos simples que podem elevar rapidamente a glicose.
Isso não significa que mel e açúcar sejam exatamente iguais em composição, mas a diferença não transforma o mel em um alimento sem impacto glicêmico. O Tua Saúde mostra que o mel contém principalmente carboidratos e açúcares, como frutose e glicose, o que precisa ser considerado por quem controla a quantidade de carboidratos da alimentação.
Então trocar açúcar por mel é melhor para quem tem diabetes?
Não necessariamente. Algumas variedades de mel podem produzir respostas glicêmicas diferentes do açúcar comum, mas as evidências disponíveis não sustentam seu uso como estratégia para controlar o diabetes. Em um ensaio clínico com pessoas com diabetes tipo 2, o consumo de 50 g de mel por dia durante oito semanas não melhorou a glicemia de jejum e esteve associado a um aumento da hemoglobina glicada em comparação com o período controle.
O estudo foi relativamente pequeno e utilizou uma quantidade considerável de mel, portanto não significa que uma pequena porção ocasional cause o mesmo efeito. Ele ajuda, porém, a mostrar que simplesmente acrescentar mel à dieta não é uma forma comprovada de melhorar o controle da glicose.

“Natural” significa que pode consumir sem preocupação?
Não. A origem natural de um alimento não determina sozinha seu efeito sobre a glicemia. Mel, açúcar mascavo, açúcar de coco e xaropes podem ter diferenças de sabor e composição, mas continuam fornecendo açúcares que entram na conta de carboidratos.
Para quem tem diabetes, alguns cuidados são mais úteis do que procurar um açúcar considerado perfeito:
- usar pequenas quantidades quando houver orientação para incluir o mel;
- considerar os carboidratos do mel junto com os demais alimentos da refeição;
- evitar acrescentá-lo livremente a café, frutas, iogurtes e vitaminas apenas por ser natural;
- acompanhar a glicemia conforme a orientação médica, especialmente quando há dificuldade de controle;
- não substituir medicamentos ou ajustes alimentares pelo consumo de mel.
Qual é a melhor forma de adoçar quando existe diabetes?
Reduzir gradualmente a necessidade de sabor muito doce costuma ser mais útil do que trocar um tipo de açúcar por outro. Café, chás e outras bebidas podem ser consumidos sem açúcar, enquanto adoçantes sem açúcar podem ser uma opção em determinadas situações. A escolha depende das preferências, do padrão alimentar e da orientação do profissional que acompanha o diabetes.
O Tua Saúde orienta que a alimentação para diabetes priorize alimentos ricos em fibras e limite açúcar, mel e outros carboidratos simples. Frutas inteiras, vegetais, leguminosas e cereais integrais fornecem carboidratos junto com nutrientes e fibras, sendo escolhas diferentes de simplesmente acrescentar um ingrediente doce.

Quem tem diabetes precisa cortar o mel completamente?
Nem sempre. Dependendo do controle da glicemia, dos medicamentos utilizados e do restante da alimentação, uma pequena quantidade de mel pode eventualmente caber no planejamento alimentar. O ponto principal é não tratá-lo como substituto sem impacto para o açúcar. Para quem usa insulina, a quantidade de carboidrato também pode precisar ser considerada no cálculo da dose conforme o plano definido pela equipe de saúde.
Mel continua sendo uma fonte de açúcar e pode elevar a glicose. Portanto, escolher mel em vez de açúcar por preferência de sabor é diferente de utilizá-lo com a expectativa de que seja automaticamente mais seguro para o diabetes.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Pessoas com diabetes devem definir a quantidade de carboidratos e açúcares da alimentação de acordo com seu tratamento e orientação profissional.









