Dias de calor intenso podem representar um desafio maior para o coração quando também há muita poluição no ar. Uma pesquisa com mais de 200 mil mortes por infarto encontrou a maior elevação do risco nos períodos em que ondas de calor coincidiram com níveis elevados de partículas finas. Mulheres e pessoas mais velhas apareceram entre os grupos mais vulneráveis, embora os resultados tenham sido obtidos em uma região da China e não possam ser automaticamente aplicados a outras populações.
O que o estudo descobriu sobre calor, poluição e infarto?
O estudo publicado em 2023 na revista Circulation analisou 202.678 mortes por infarto do miocárdio registradas entre 2015 e 2020 na província de Jiangsu, na China. Os pesquisadores compararam os dias em que as mortes aconteceram com outros dias semelhantes e avaliaram a temperatura aparente e a exposição à poluição por partículas finas, conhecidas como PM2,5.
As ondas de calor, isoladamente, já foram associadas a maior chance de morte por infarto. Dependendo da intensidade e da duração, o aumento observado variou de 18% a 74%. A combinação mais preocupante apareceu nas ondas de calor prolongadas acompanhadas de PM2,5 acima de 37,5 microgramas por metro cúbico, situação em que o risco observado chegou a aproximadamente dobrar em comparação com os dias usados como referência.
Por que calor e partículas finas podem formar uma combinação perigosa?
Em temperaturas muito altas, o organismo precisa trabalhar para eliminar calor. Os vasos sanguíneos da pele se dilatam, há aumento da transpiração e podem ocorrer perda de líquidos e alterações na circulação, exigindo adaptações do sistema cardiovascular. Esse esforço pode pesar mais para quem já apresenta alguma vulnerabilidade cardíaca.
Ao mesmo tempo, as partículas PM2,5 são tão pequenas que conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões. A poluição por partículas finas está relacionada a processos inflamatórios e alterações cardiovasculares. No estudo, os autores encontraram uma interação entre calor extremo e PM2,5 maior do que seria esperado pela simples soma das duas exposições, sugerindo que os fatores podem potencializar seus efeitos quando acontecem juntos.

Por que mulheres e idosos apareceram como mais vulneráveis?
As pessoas analisadas tinham, em média, 77,6 anos, e pouco mais da metade tinha mais de 80 anos. Os pesquisadores observaram que adultos mais velhos apresentaram maior vulnerabilidade aos extremos de temperatura e à poluição. Mulheres também tiveram risco mais elevado que homens durante as ondas de calor.
Isso não significa que toda mulher ou pessoa idosa terá um infarto em um dia quente. O trabalho é observacional e identificou associações na população estudada. Além disso, os próprios autores ressaltam que diferenças de clima, adaptação ao calor e condições ambientais impedem generalizar diretamente os números encontrados na China para outros países.
Como reduzir a exposição nos dias mais críticos?
Quando previsões indicarem calor extremo e qualidade ruim do ar ao mesmo tempo, especialmente pessoas mais velhas ou com doenças cardiovasculares podem adotar medidas para diminuir as duas exposições. Entre os cuidados sugeridos pelos pesquisadores estão:
- acompanhar os alertas de temperatura e qualidade do ar;
- evitar atividades físicas intensas ao ar livre nos horários mais quentes;
- buscar ambientes mais frescos durante períodos de calor extremo;
- manter hidratação adequada, respeitando eventuais restrições médicas de líquidos;
- evitar locais próximos a vias com tráfego intenso quando a poluição estiver elevada.
Esses cuidados reduzem a exposição, mas não substituem o controle de fatores já conhecidos para doenças cardiovasculares, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado e tabagismo.

Quais sinais de infarto exigem atendimento imediato?
Dor, pressão ou aperto no peito, falta de ar, suor frio, náusea, tontura e dor que se espalha para braços, costas, pescoço ou mandíbula podem indicar uma emergência. O conteúdo do Tua Saúde sobre sintomas e sinais de infarto também destaca que algumas mulheres podem apresentar manifestações menos típicas, como náuseas, palpitações e falta de ar, mesmo sem uma dor intensa no peito.
Diante de sintomas compatíveis com infarto, não se deve esperar a temperatura baixar nem tentar resolver o quadro apenas com repouso ou hidratação. É necessário procurar atendimento de emergência imediatamente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com doença cardiovascular devem conversar com o médico sobre cuidados específicos durante períodos de calor intenso e poluição elevada.









