O Brasil ganhou uma nova diretriz para o tratamento da obesidade, atualizando recomendações que estavam em vigor desde 2016. Elaborada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), em consenso com outras sociedades médicas, a atualização amplia os critérios de diagnóstico além do IMC, incorpora as novas medicações da classe dos análogos de GLP-1 e reforça que a obesidade deve ser encarada como doença crônica que exige acompanhamento contínuo e individualizado.
O que mudou na nova diretriz brasileira de obesidade?
A principal mudança é o deslocamento do foco da normalização do IMC para a funcionalidade, a qualidade de vida e a individualização do tratamento. A diretriz anterior era de 2016 e não contemplava avanços recentes da farmacoterapia nem a visão atual sobre fenótipos alimentares.
O documento também reconhece a obesidade como doença crônica e progressiva, que precisa de manutenção terapêutica com reavaliações constantes, afastando a ideia de que o tratamento é temporário ou baseado apenas em força de vontade.
Como os critérios de diagnóstico foram atualizados além do IMC?
A nova diretriz orienta que o tratamento considere medidas de adiposidade corporal, como circunferência da cintura e relação cintura/altura, e não apenas o número do IMC. Isso ajuda a identificar risco cardiovascular em pessoas que não se encaixam no corte tradicional.
Com isso, pacientes com IMC abaixo de 30, mas com complicações relacionadas à obesidade, podem ser tratados. Entender a relação cintura-quadril passou a ser parte importante da avaliação clínica.

O que a nova publicação da Abeso diz sobre o tratamento farmacológico?
A diretriz detalha quando e como indicar os medicamentos para a obesidade, com destaque para a nova classe dos análogos de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esse grupo de medicações representa um avanço importante no manejo clínico.
Segundo a publicação Nova diretriz brasileira de tratamento da obesidade publicada pela ABESO divulgada no portal médico Afya, o documento recomenda farmacoterapia para pacientes com IMC igual ou maior que 30 kg/m² ou com IMC a partir de 27 kg/m² quando há comorbidades associadas, e estabelece como meta clínica a perda de ao menos 10% do peso corporal, sempre em combinação com mudanças no estilo de vida e sem incentivar fórmulas sem comprovação científica.
Quais medicações ganharam destaque na nova diretriz?
A diretriz categoriza os medicamentos conforme eficácia, segurança e duração do tratamento, respeitando o perfil clínico de cada paciente. Veja as principais recomendações para situações específicas.
- Pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica: semaglutida como primeira opção, com liraglutida ou tirzepatida como alternativas.
- Pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada: semaglutida ou tirzepatida, pelos benefícios cardiometabólicos documentados.
- Pacientes com osteoartrite de joelhos: semaglutida, pela redução de peso e impacto nas articulações.
- Pacientes com apneia obstrutiva do sono moderada a grave: tirzepatida, com efeito direto sobre o controle da doença.
- Contraindicação: fórmulas manipuladas com diuréticos, hormônios e substâncias sem respaldo científico, consideradas inseguras.

Quais cuidados complementam o tratamento recomendado?
A diretriz reforça que o tratamento farmacológico nunca deve ser isolado, sendo recomendado em conjunto com mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional e estímulo à atividade física. Também vale conhecer melhor as causas da obesidade para apoiar o cuidado contínuo.
- Avaliação individualizada: a decisão terapêutica é compartilhada entre médico e paciente, respeitando preferências, fenótipos alimentares e comorbidades.
- Treino de força e ingestão proteica adequada: especialmente em idosos e pessoas com risco de sarcopenia, para preservar a massa muscular.
- Reavaliação periódica: o tratamento é contínuo e deve ser ajustado conforme a resposta clínica.
- Suporte multiprofissional: endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico atuam juntos no manejo da doença.
- Atenção primária fortalecida: a maior parte dos pacientes é atendida na atenção básica, antes das complicações se instalarem.
Antes de iniciar, trocar ou interromper qualquer tratamento para obesidade, incluindo o uso de canetas emagrecedoras, procure orientação de um médico endocrinologista ou de um profissional habilitado, que avaliará o seu caso individualmente.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









