Esperar a visão piorar para procurar o oftalmologista pode ser tarde demais quando o problema é glaucoma. Na forma mais comum da doença, o dano ao nervo óptico avança lentamente e geralmente sem dor, comprometendo primeiro a visão lateral. Como a parte da visão já perdida não pode ser recuperada, os exames oftalmológicos periódicos são a principal maneira de descobrir a doença antes que a pessoa perceba que está enxergando menos.
Por que o glaucoma pode avançar sem a pessoa perceber?
Glaucoma é o nome dado a um grupo de doenças que danificam o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais dos olhos até o cérebro. A pressão elevada dentro dos olhos é um importante fator de risco, mas também existem pessoas que desenvolvem glaucoma mesmo com medidas de pressão consideradas normais.
O National Eye Institute explica que o glaucoma geralmente não apresenta sintomas no início e que a perda visual costuma começar pela visão periférica. Como essa mudança ocorre aos poucos, o cérebro pode se adaptar e a pessoa continuar realizando suas atividades sem notar imediatamente que partes do campo de visão estão desaparecendo.
A perda começa mesmo pelas laterais da visão?
Na forma mais comum, o glaucoma primário de ângulo aberto, o comprometimento costuma atingir inicialmente o campo visual periférico. Isso significa que a pessoa ainda pode enxergar bem aquilo que está diretamente à sua frente enquanto começa a deixar de perceber objetos localizados nas laterais.
Com a progressão, o campo visual pode ficar cada vez mais estreito e, sem tratamento, a visão central também pode ser afetada. O Ministério da Saúde explica que as fibras relacionadas à região periférica da visão podem ser comprometidas primeiro e que o glaucoma pode avançar para uma perda visual irreversível. O tratamento consegue reduzir a progressão, mas não devolve a visão que já foi perdida.

Depois dos 40 anos é preciso prestar mais atenção?
O glaucoma pode surgir em diferentes idades, mas o risco aumenta com o envelhecimento. No Brasil, documentos do Ministério da Saúde incluem idade acima de 40 anos entre os fatores que merecem atenção. Ter pai, mãe, irmãos ou outros familiares próximos com glaucoma também aumenta o risco e deve ser informado ao oftalmologista.
Outros fatores podem incluir pressão intraocular elevada, alto grau de miopia, diabetes, determinadas características anatômicas dos olhos e uso prolongado de corticoides. Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá glaucoma, mas pode justificar acompanhamento mais próximo.
Medir apenas a pressão dos olhos é suficiente?
Não. A pressão intraocular é uma parte importante da avaliação, mas uma medida normal não exclui glaucoma. O exame oftalmológico pode envolver a análise do nervo óptico, medição da pressão, avaliação do campo visual e, quando necessário, exames complementares para identificar alterações estruturais.
O conteúdo do Tua Saúde sobre glaucoma explica que o diagnóstico pode envolver exames como tonometria, oftalmoscopia, perimetria e gonioscopia. É justamente essa avaliação mais completa que permite encontrar alterações antes que a pessoa perceba uma falha importante na visão.

Glaucoma nunca causa dor?
O glaucoma crônico de ângulo aberto, que é o tipo mais frequente, geralmente progride sem dor. Existe, porém, uma forma diferente chamada glaucoma de ângulo fechado que pode provocar aumento súbito da pressão ocular. Nesse caso, podem aparecer dor intensa no olho, vermelhidão, visão embaçada, halos ao redor das luzes, dor de cabeça, náuseas e vômitos.
Esses sintomas súbitos exigem atendimento de urgência. Para o glaucoma que avança silenciosamente, porém, a estratégia é outra: não esperar por sintomas. Consultas oftalmológicas periódicas, principalmente a partir dos 40 anos e em pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco, permitem descobrir alterações enquanto ainda existe visão a preservar.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento individual de um médico oftalmologista.









